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18/09/2009 - 10h00

Em quase um século, brasileiro mudou de raça, idade e de condição de vida, mostra IBGE

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Em quase um século de pesquisas sobre como vivem os brasileiros, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) revela algumas curiosidades sobre as mudanças ocorridas no país desde a década de 1940, quando os primeiros números começaram a ser divulgados.

Pnad: o perfil do brasileiro

  • Arte UOL

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Segundo as novas estatísticas divulgadas nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), relativas ao ano de 2008, o Brasil mudou de raça e de perfil etário, conseguiu diminuir bruscamente o analfabetismo e, ligeiramente, melhorar a condição de vida.

Na década de 60, água encanada, iluminação elétrica e rede coletora de esgoto eram privilégio de poucos. Apenas 21% possuíam abastecimento de água em casa e 38,6%, luz. Isso sem falar em telefone, que nem sequer fazia parte das perguntas do levantamento.

Em 1992, somente 19% dos brasileiros tinham acesso ao aparelho, situação que mudou somente em meados dos anos 2000, quando houve um salto de 37,5% para 58,9%.

Agora, começa a haver o caminho inverso. Mais de 82% possuem algum tipo de telefone, mas já revelam preferência pelo celular. Muitos domicílios, 37,5% do total, só possuem esse tipo de aparelho.



Já a rede de esgoto era na forma de fossa sanitária, sem tratamento adequado, e chegava a somente 126 cidades, ainda contabilizadas como vilas, segundo dados de 1940. Pouco antes de 1970, apenas 13% tinham esgoto sanitário. Hoje, a meta está longe do ideal, mas mais que dobrou _51,1% estão ligados à rede coletora.

Também na década de 60, geladeira fazia parte das casas de apenas 11,6% dos brasileiros. O mais comum era ter fogão _88,4% possuíam a peça. E menos pessoas ainda tinham televisor (4,6%), cifra que quadruplicou na década seguinte (24,1%) e hoje chega à quase totalidade do país: 95,1%.

A predominância dos pardos
Não foi somente a vida do brasileiro que melhorou. O brasileiro também mudou. Se, em 1940, mais de 60% diziam-se brancos _efeito de um período de preconceitos_ hoje só 48,8% se classificam nessa categoria, e 43,8% se dizem pardos.

Segundo especialistas, essa mudança pode refletir uma população negra que ainda se declara parda, com medo do preconceito, como também a miscigenação cada dia maior no país, ou ainda, o efeito de políticas afirmativas, como o sistema de cotas em universidades.



Outra faceta observada no perfil da população foi o aumento do número de mulheres e de idosos. Até a década de 60, não havia praticamente diferença de sexo na população. Hoje, há cerca de 5,1 milhões de mulheres a mais do que homens no país e elas são 50,3% do total.



Envelhecimento e escolarização
Com relação à idade, o Brasil continua a ser um país jovem. A faixa etária de 15 a 39 anos alcança os 41%. Mas começa a haver mudança significativa dos que têm acima de 40 anos. Estes já somam 34,3%, com um aumento de 4,5 pontos percentuais em apenas um ano, comparando-se com 2007.

Sul e Sudeste apresentaram o maior envelhecimento da população, com, respectivamente, 38,1% e 37,8% do total de residentes com 40 anos ou mais de idade, acima da média nacional.

Em 1950, a maioria eram as crianças e os adolescentes (menos de 15 anos de idade), que representavam 42,5% da população. Dos 15 e 40 anos, eram 40% e, apenas, 17,5% tinham mais de 40 anos.

Com base nesses dados, é possível perceber também como a escolarização evoluiu nos últimos 70 anos. A média nacional atual é de 9,2% de analfabetos entre pessoas com mais de 10 anos de idade. Mas o analfabetismo ainda é maior entre pessoas com mais de 25 anos: 12,4%. Dos 10 anos 14 anos, é de 2,8%, representando um maior acesso à educação no país.



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