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18/09/2009 - 10h00

Brasil perde brancos e pretos e ganha 3,2 milhões de pardos

Rodrigo Martins
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pnad: o perfil do brasileiro

  • Arte UOL

    Mais domicílios possuem máquina de lavar e microcomputador; veja o quadro do país e por Estado


Em um ano, a população brasileira ganhou 3,2 milhões de pessoas autodeclaradas pardas, enquanto viu desaparecer 450 mil brancos e 1 milhão de pretos. É o que indicam os dados deste ano da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. Além do crescimento em números absolutos, os pardos aumentaram a sua participação na base populacional em termos percentuais.

Em 2007, a população residente no país era composta por 48,4% de pessoas brancas, 43,8% de pardas, 6,8% de pretas e 0,9% de amarelas e indígenas. Um ano depois, houve uma elevação de 1,3 ponto percentual na proporção de brasileiros declarados pardos e uma redução das populações pretas (0,7 ponto percentual) e brancas (0,8 ponto percentual).

O número de pardos aumentou tanto na população masculina como na feminina. E a única região do país que não verificou uma redução do percentual de brancos ou pretos foi o Centro-Oeste, onde a participação de cada etnia permaneceu praticamente inalterada entre 2007 e 2008.



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Para especialistas, este fenômeno não deve ser atribuído apenas à variação da taxa de nascimentos e óbitos. Como a pesquisa é baseada na autodeclaração dos entrevistados e a noção de raça é uma construção social, esta variação pode ter raízes em questões subjetivas, ligadas ao sentimento de pertencer a uma determinada etnia, ao preconceito ou mesmo uma reação ao debate sobre políticas afirmativas no Brasil.

"Não causa surpresa que os pretos se declarem pardos, porque o preconceito do Brasil é baseado na representação, aquilo que as pessoas acham de si mesmas ou o que os outros acham delas. E, enquanto os negros tiverem em desvantagem no acesso à educação ou ganhando salários menores, por exemplo, é compreensível que muitas pessoas não queiram assumir uma identidade negra", afirma o escritor e historiador Joel Rufino dos Santos, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Pretos, pardas ou indígenas são maioria no Norte e minoria nos Estados da região Sul

  • Pnad/IBGE - 2008 - Reprodução

    A Pnad confirma a histórica distribuição desigual das raças em território nacional; quanto mais ao Sul, menor é a porcentagem daqueles que se autodeclaram negros, pardos ou indígenas



"Surpreendente é a constatação de que brancos podem estar se declarando pardos. Porque tanta gente não desaparece assim, da noite para o dia. É um fenômeno que precisa ser estudado", completa.

As diferenças regionais
A Pnad 2009 confirma a histórica distribuição desigual das raças no território nacional. Enquanto no Norte e no Nordeste as pessoas se declaram predominantemente pardas ou pretas (índice superior a 70%), na região Sul, 78,7% dos entrevistados se classificaram como brancos.

No Sudeste, 56,8% da população se declara branca, 34,4% parda e 7,7% preta. O Centro-Oeste se manteve com cerca de metade da população autodeclarada parda. Os brancos somam 42,2% e os pretos 6,5%.

A participação das etnias nos centros urbanos e no campo também é diferenciada. Enquanto no ambiente rural a população há uma predominância da população preta e parda (60,4%, ante os 38,7% da participação dos brancos), nas cidades a balança pende ligeiramente para o outro lado. Os brancos somam 50,3%, e os pretos e pardos, 48,7%.

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