O ano de poucas surpresas nas eleições acabou com uma prévia de como deverá ser a disputa em 2010. Os dois maiores expoentes das urnas abertas nos dias 5 e 26 de outubro, mesmo sem concorrer, José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conseguiram alavancar candidaturas importantes e adiantar a polarização da corrida pela Presidência da República.
PT, PMDB e PSDB confirmam preferência nas urnas
Seus partidos também tiveram bom desempenho, que os credencia às próximas eleições.
PT, PMDB e PSDB somaram 50% dos votos válidos para prefeito em todo o país. A força do PMDB provoca agora disputa entre tucanos e petistas pelo importante apoio no pleito presidencial e para governador. A base aliada de Lula também se fortaleceu e vai governar
72% do eleitorado brasileiro. O PT, no entanto,
foi derrotado em cidades importantes, como São Paulo, onde a disputa era considerada ganha.
Mais de 27 milhões de brasileiros foram às urnas. No primeiro turno, em apuração feita em
tempo recorde, o número de reeleitos foi o
mais elevado da história. PT e PMDB foram os partidos que
mais reelegeram em capitais -prefeitos que irão governar com
maioria no Legislativo e que ainda podem contar com o lado positivo da crise mundial caso, no futuro,
não tenham cumprido com suas promessas de campanha.
PadrinhosEntre as surpresas destas eleições estão a trajetórias de nomes como
Gilberto Kassab (DEM), reeleito em São Paulo graças à força do padrinho José Serra, e
Marcio Lacerda (PSB), que saiu do anonimato em dobradinha delineada pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), em Belo Horizonte (MG).
Kassab começou com atrás dos adversários Marta Suplicy (PT), que liderou todo o primeiro turno na capital paulista, e Geraldo Alckmin (PSDB), tido como principal nome no segundo turno. Para completar, o candidato do DEM foi acusado de
interferir em pesquisa Datafolha e incluído na apelidada "lista suja" de candidatos réus, após
reportagem do UOL sobre processo a que ele responde por improbidade.
No segundo turno, a disputa virou. Kassab
terminou a apuração em primeiro lugar, graças a uma campanha maciça que contou com personagens como o boneco
kassabinho e a maior parte do tempo no
horário eleitoral gratuito. Propaganda polêmica de Marta que insinuava a
homossexualidade do prefeito não fizeram efeito e ele ainda contou com o
apoio de Alckmin.
Marcio Lacerda começou empatado em terceiro lugar com Vanessa Portugal (PSTU) nas sondagens de intenções de voto (6%) e via de longe Jô Moraes (PC do B) liderar as pesquisas com mais de 20%. Ele chegou a ser apontado como uma escolha duvidosa por causa da inexperiência. O início da propaganda eleitoral na televisão também alavancou outro nome, que saiu da disputa fortalecido, Leonardo Quintão (PMDB).
"Desempenho petista complica 2010"
PolêmicasNo Rio de Janeiro, dois candidatos concorreram à prefeitura voto a voto, na contagem mais acirrada do país.
Eduardo Paes (PMDB) sagrou-se vitorioso com pouco mais de 55 mil votos de diferença de
Fernando Gabeira (PV). O derrotado chegou a classificar a campanha do adversário de "
suja".
Em Salvador, a disputa entre dois integrantes da base aliada de Lula provocou estremecimento nas relações entre o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e o governador Jacques Wagner (PT). O primeiro articulou a campanha de
João Henrique (PMDB), reeleito ao derrotar Walter Pinheiro (PT), apoiado por Wagner. Mas os reflexos na
aliança nacional foram amenizados depois do pleito, quando o governador afirmou que pretende manter a proximidade.
Assim como João Henrique, a petista
Luizianne Lins (PT) seguiu reta ascendente. Começou superada por adversários nas pesquisas em Fortaleza (CE), mas reagiu e venceu no primeiro turno. Em contraponto,
Iris Rezende (PMDB), em Goiânia (GO),
Beto Richa (PSDB), em Curitiba (PR), e
José Fogaça (PMDB), em Porto Alegre (RS), confirmaram o que pesquisas de opinião diziam desde o início da corrida eleitoral, e venceram facilmente.
Derrotas inesperadas tiveram Marta Suplicy (PT),
ACM Neto (DEM), em Salvador,
Marcelo Crivella (PL), no Rio.
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Lista suja x tropas federaisMulheres tinham grandes chances de vitória nas capitais, mas perderam terreno para os homens. Já grande parte dos apelidados "
ficha suja" conseguiram se eleger. Eles respondem a processos, mas não possuem condenação.
Entre eles
Rosinha Garotinho (PMDB) que, além de figurar na lista, teve que esperar decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para ser eleita à Prefeitura de Campos (RJ). No Recife (PE), o petista
João da Costa elegeu-se sub judice sob suspeita de uso da máquina e ainda aguarda manifestação da Corte para ter o cargo em definitivo.
As eleições também foram marcadas pela presença de
tropas federais em quase 400 cidades, que precisaram agir para garantir a segurança no pleito. No Rio,
traficantes impediram candidatos de oposição de realizar campanhas em determinadas favelas.
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Espetáculo à parte promoveram candidatos a vereador em todo o país. Como praxe, campanhas apelaram ao
exótico para cativar o eleitor.
Entre os aspirantes ao cargo, Valdo Sanduíche, Janu da Combi, Beleza, Álvaro Junior (o Beiço), Loirinho da Pizzaria, Lindomar Já Ouviu Falar, Pingo de Mel, Nego Osvaldo Bilisquete, Cabo Luiz Cadeado, Magal Saque Rápido, Zé Pereba, Vovô do Rock e Tomaz Rola Bosta.
Gretchen, Rita Cadillac e ex-BBBs fracassaram nas urnas. Com 102.048 votos, Gabriel Chalita (PSDB), ex-secretário da Educação do tucano Geraldo Alckmin no governo do Estado, foi o
campeão de votos para a Câmara de Vereadores de São Paulo. O cantor e compositor Netinho de Paula (PC do B), que estréia sua vida política, obteve 84.406 votos, e até virou "puxador" de votos de Marta Suplicy no segundo turno.