UOL Notícias Especial Retrospectiva 2008
 

16/12/2008 - 13h30

Eleições 2008 fortalecem Serra e Lula para 2010

Rosanne D´Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo (SP)
O ano de poucas surpresas nas eleições acabou com uma prévia de como deverá ser a disputa em 2010. Os dois maiores expoentes das urnas abertas nos dias 5 e 26 de outubro, mesmo sem concorrer, José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conseguiram alavancar candidaturas importantes e adiantar a polarização da corrida pela Presidência da República.

PT, PMDB e PSDB confirmam preferência nas urnas

  • Arte UOL

    Disputa adianta polarização entre José Serra (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2010



Seus partidos também tiveram bom desempenho, que os credencia às próximas eleições. PT, PMDB e PSDB somaram 50% dos votos válidos para prefeito em todo o país. A força do PMDB provoca agora disputa entre tucanos e petistas pelo importante apoio no pleito presidencial e para governador. A base aliada de Lula também se fortaleceu e vai governar 72% do eleitorado brasileiro. O PT, no entanto, foi derrotado em cidades importantes, como São Paulo, onde a disputa era considerada ganha.

Mais de 27 milhões de brasileiros foram às urnas. No primeiro turno, em apuração feita em tempo recorde, o número de reeleitos foi o mais elevado da história. PT e PMDB foram os partidos que mais reelegeram em capitais -prefeitos que irão governar com maioria no Legislativo e que ainda podem contar com o lado positivo da crise mundial caso, no futuro, não tenham cumprido com suas promessas de campanha.

Padrinhos
Entre as surpresas destas eleições estão a trajetórias de nomes como Gilberto Kassab (DEM), reeleito em São Paulo graças à força do padrinho José Serra, e Marcio Lacerda (PSB), que saiu do anonimato em dobradinha delineada pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), em Belo Horizonte (MG).

Os vencedores

  • Arte UOL

    Gilberto Kassab (DEM) e Marcio Lacerda (PSB) contaram com a ajuda de "padrinhos"; Luizianne Lins (PT) surpreendeu; Eduardo Paes (PMDB) venceu Gabeira (PV) após disputa voto a voto



Kassab começou com atrás dos adversários Marta Suplicy (PT), que liderou todo o primeiro turno na capital paulista, e Geraldo Alckmin (PSDB), tido como principal nome no segundo turno. Para completar, o candidato do DEM foi acusado de interferir em pesquisa Datafolha e incluído na apelidada "lista suja" de candidatos réus, após reportagem do UOL sobre processo a que ele responde por improbidade.

No segundo turno, a disputa virou. Kassab terminou a apuração em primeiro lugar, graças a uma campanha maciça que contou com personagens como o boneco kassabinho e a maior parte do tempo no horário eleitoral gratuito. Propaganda polêmica de Marta que insinuava a homossexualidade do prefeito não fizeram efeito e ele ainda contou com o apoio de Alckmin.

Marcio Lacerda começou empatado em terceiro lugar com Vanessa Portugal (PSTU) nas sondagens de intenções de voto (6%) e via de longe Jô Moraes (PC do B) liderar as pesquisas com mais de 20%. Ele chegou a ser apontado como uma escolha duvidosa por causa da inexperiência. O início da propaganda eleitoral na televisão também alavancou outro nome, que saiu da disputa fortalecido, Leonardo Quintão (PMDB).

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Polêmicas
No Rio de Janeiro, dois candidatos concorreram à prefeitura voto a voto, na contagem mais acirrada do país. Eduardo Paes (PMDB) sagrou-se vitorioso com pouco mais de 55 mil votos de diferença de Fernando Gabeira (PV). O derrotado chegou a classificar a campanha do adversário de "suja".

Em Salvador, a disputa entre dois integrantes da base aliada de Lula provocou estremecimento nas relações entre o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e o governador Jacques Wagner (PT). O primeiro articulou a campanha de João Henrique (PMDB), reeleito ao derrotar Walter Pinheiro (PT), apoiado por Wagner. Mas os reflexos na aliança nacional foram amenizados depois do pleito, quando o governador afirmou que pretende manter a proximidade.

Assim como João Henrique, a petista Luizianne Lins (PT) seguiu reta ascendente. Começou superada por adversários nas pesquisas em Fortaleza (CE), mas reagiu e venceu no primeiro turno. Em contraponto, Iris Rezende (PMDB), em Goiânia (GO), Beto Richa (PSDB), em Curitiba (PR), e José Fogaça (PMDB), em Porto Alegre (RS), confirmaram o que pesquisas de opinião diziam desde o início da corrida eleitoral, e venceram facilmente.

Derrotas inesperadas tiveram Marta Suplicy (PT), ACM Neto (DEM), em Salvador, Marcelo Crivella (PL), no Rio.

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Lista suja x tropas federais
Mulheres tinham grandes chances de vitória nas capitais, mas perderam terreno para os homens. Já grande parte dos apelidados "ficha suja" conseguiram se eleger. Eles respondem a processos, mas não possuem condenação.

Entre eles Rosinha Garotinho (PMDB) que, além de figurar na lista, teve que esperar decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para ser eleita à Prefeitura de Campos (RJ). No Recife (PE), o petista João da Costa elegeu-se sub judice sob suspeita de uso da máquina e ainda aguarda manifestação da Corte para ter o cargo em definitivo.

As eleições também foram marcadas pela presença de tropas federais em quase 400 cidades, que precisaram agir para garantir a segurança no pleito. No Rio, traficantes impediram candidatos de oposição de realizar campanhas em determinadas favelas.

Vereadores

Jovem é eleito vereador antes dos 18 anos

  • Dois dos vereadores mais jovens do país foram eleitos na região de São José do Rio Preto (SP)


Espetáculo à parte promoveram candidatos a vereador em todo o país. Como praxe, campanhas apelaram ao exótico para cativar o eleitor.

Entre os aspirantes ao cargo, Valdo Sanduíche, Janu da Combi, Beleza, Álvaro Junior (o Beiço), Loirinho da Pizzaria, Lindomar Já Ouviu Falar, Pingo de Mel, Nego Osvaldo Bilisquete, Cabo Luiz Cadeado, Magal Saque Rápido, Zé Pereba, Vovô do Rock e Tomaz Rola Bosta.

Gretchen, Rita Cadillac e ex-BBBs fracassaram nas urnas. Com 102.048 votos, Gabriel Chalita (PSDB), ex-secretário da Educação do tucano Geraldo Alckmin no governo do Estado, foi o campeão de votos para a Câmara de Vereadores de São Paulo. O cantor e compositor Netinho de Paula (PC do B), que estréia sua vida política, obteve 84.406 votos, e até virou "puxador" de votos de Marta Suplicy no segundo turno.

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