Em ano de recuperação, Brasil vira "queridinho" na economia
Da Redação Em São Paulo
Crise global, recessão, recuperação. O Brasil na moda, o real valorizado, gigantes quebrando, gigantes se fundindo. Relembre a seguir os destaques da economia em 2009.
O Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre do ano, como resultado da crise econômica global, a primeira desde 2003.
Os números divulgados inicialmente foram revisados depois pelo IBGE.
Empresas importantes fizeram demissões em massa. Um caso foi a Embraer, que cortou mais de 4.000 trabalhadores, cerca de 20% de seus quadros.
O governo brasileiro foi tomando medidas para estimular a economia ao longo do ano. Uma delas foi a redução ou a isenção de impostos.
O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) foi cortado para carros, eletrodomésticos, como geladeiras e fogões e material de construção. Outros impostos incidentes sobre o pão também foram reduzidos. Enquanto isso, como compensação, produtos supérfluos, como cigarros, foram sobretaxados.
O governo havia estabelecido prazos para encerrar esses incentivos, mas foi prolongando vários deles, como os carros flex e os eletrodomésticos ecológicos.
O setor de móveis acabou entrando na onda de isenções de impostos, para estimular o consumo.
Também foi lançado pacote habitacional com investimentos de R$ 34 bilhões para a construção de 1 milhão de moradias.
O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o PIS e a Cofins deixaram de ser cobrados em computadores adquiridos pela rede pública de ensino. Além disso, a redução do IPI para bens de capital e máquinas, que terminaria neste mês de dezembro, será prorrogada até o dia 30 de junho de 2010.
Os líderes mundiais também se mobilizaram. O G20 anunciou o uso de US$ 5 tri para tentar salvar a economia e os empregos.
A recuperação do Brasil veio logo. Já no segundo trimestre, a economia do país voltou a crescer, e o país saiu da recessão técnica. No terceiro trimestre, também houve alta, embora menor do que a esperada pelo governo.
O Brasil é pop O Brasil entrou no noticiário como o emergente queridinho dos analistas internacionais. Elogios vieram de todos os lados.
O jornal francês "Le Monde" avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava certo quando disse, ainda em 2008, que a crise econômica provocaria apenas uma "marolinha" no Brasil.
A revista norte-americana "Newsweek" afirmou que o Brasil vem se transformando na última década em uma "potência regional única".
A revista britânica "The Economist" também soltou elogios ao desempenho brasileiro e dedicou uma capa em novembro para o Brasil. A revista chamou o país "a maior história de sucesso na América Latina". A capa tinha uma montagem com o Cristo Redentor decolando, como se fosse um foguete.
Outra manifestação de confiança no país foi feita pela agência de classificação de risco Moody's, que concedeu grau de investimento ao Brasil. Foi a quarta agência a alçar o país ao grupo dos países considerados confiáveis para investir.
Depois de anos sofrendo com sua dívida externa e tendo de submeter-se às rigidas regras do FMI (Fundo Monetário Internacional) para conseguir algum dinheiro emprestado, o país não é mais devedor, mas sim credor do Fundo, com a compra de US$ 10 bilhões em bônus.
Dólar em queda Outra situação pouco comum na história recente da economia brasileira foi a valorização do real e a queda do dólar. Entre janeiro e novembro, o dólar havia perdido cerca de 25% de seu valor. O dólar barato é bom para quem viaja ao exterior ou compra produtos importados, mas é ruim para os exportadores brasileiros.
Por isso o governo decidiu em outubro taxar aplicações estrangeiras na Bolsa de Valores (Bovespa) e nas aplicações em renda fixa para tentar evitar a valorização do real.
Em novembro, o governo adotou outra medida: a cobrança de IOF sobre operações com ações de empresas brasileiras no exterior.
A taxa básica de juros terminou 2009 abaixo dos dois dígitos, em 8,75% ao ano. É o menor percentual desde que a Selic passou a ser usada como meta da política monetária, em 5 de março de 1999.
Com os juros em baixa, o governo pensou em taxar a poupança para evitar a transferência de investidores dos títulos públicos (remunerados pela Selic) para a poupança. Mas o projeto acabou não sendo concretizado.
Quebras e fusões Uma notícia que poucos esperariam ver um dia aconteceu em 2009: a cententária fabricante de automóveis General Motors, um ícone da sociedade norte-americana e do capitalismo global, pediu concordata nos Estados Unidos em junho. Quarenta dias depois, a empresa saiu da concordata.
A derrocada da indústria norte-americana de automóveis também se manifestou com o pedido de concordata da Chrysler.
O ano dos negócios também apresentou fusões surpreendentes. O Pão de Açúcar e as Casas Bahia criaram uma gigante do varejo.
Crise global A Alemanha e a França surpreenderam e retomaram o crescimento econômico no segundo trimestre, superando a recessão antes do esperado.
O FMI chegou a anunciar o fim da recessão mundial, mas isso não significa que a economia foi totalmente recuperada.
No fim do ano, Dubai anunciou a incapacidade de pagar as dívidas da empresa estatal Dubai World, estimada em US$ 59 bilhões. O calote bilionário agitou os mercados financeiros no mundo.