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11/03/2010 - 12h03

Após quatro horas, Chile encerra alerta de tsunami em dia de posse de Piñera

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Santiago (Chile)

Atualizado às 16h02

Cerca de 20 minutos antes da posse do presidente Sebastián Piñera, um forte terremoto de 6,9 graus na escala Richter atingiu o Chile, na manhã desta quinta-feira (11), de acordo com o Instituto de Sismología dos Estados Unidos. Foi a réplica mais forte desde o megaterremoto de 8,8 graus de 27 de fevereiro. Inicialmente, a magnitude calculada foi de 7,2, mas logo o Instituto sismográfico americano revisou para baixo o número. 

Enviado especial do UOL detalha o Chile devastado pós-terremoto

A Marinha chilena investiga quem matou o catador David Riquelme, 45, encontrado morto em um campo de futebol na cidade de Hualpén, no sul do Chile. Testemunhas dão conta que ele foi levado por cinco fuzileiros por burlar o toque de recolher durante a noite na região.

O novo governo emitiu alerta de tsunami por volta de 12h, já que o epicentro foi próximo à costa chilena. Um pouco antes de 16h, contudo, o alerta foi encerrado. Só foram registradas mudanças nas marés nas cidades de Pichilemu (250 km ao sul de Santiago), mas não ocorreram ondas grandes após o terremoto de 6,9 graus na escala Richter.

Durante o alerta, o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico (SHOA, na sigla em espanhol) da Marinha chilena recomendou à população das localidades litorâneas seguir para lugares altos entre as regiões de Valparaíso e Los Lagos, mil quilômetros ao sul de Santiago.

"Colocamos o alerta de tsunami preventivamente para os locais do litoral com até 15 metros do nível do mar", afirmou na saída da posse o novo ministro da Defesa, Jaime Ravinet.

O governo Piñera decretou estado de catástrofe na região de O'Higgins, com deslocamento de tropas, mas sem toque de recolher. Ele visitou Rancagua, cidade da área, depois de cumprimentar os chefes de Estado presentes em sua posse. Essa é a terceira região com esse status: devido ao tremor de fevereiro, Bio-bio e Maule já estavam nessa condição.

O tremor de hoje assustou as autoridades presentes na cerimônia de posse no Congresso chileno, em Valparaíso (cidade 120 km a oeste de Santiago). Alguns jornalistas correram e as autoridades se surpreenderam. Após a cerimônia de posse, o Congresso Nacional foi evacuado de modo preventivo.

Houve um segundo tremor, dez minutos depois, também forte, com intensidade de 6,4 na escala Richter. Nem Piñera nem Michelle Bachelet estavam no Congresso no momento do primeiro tremor. No segundo sismo, Bachelet estava em carro aberto saudando o público, enquanto o ainda presidente eleito estava já dentro do Congresso, que só teve algumas lâmpadas derrubadas (os parlamentares olhavam constantemente para cima, afinal, o prédio ficou com rachaduras após o megaterremoto).

Presente no Chile, o presidente do Peru, Alan García, brincou com a situação: "Deu para dançar um pouco com esse balançar". Uma terceira réplica, mais leve, aconteceu às 12h10, quando Bachelet já estava no Congresso para transmitir o cargo para Piñera. As autoridades esperaram o movimento diminuir e começaram os discursos solenes.

Três tremores no Chile hoje

11h39 6,9 graus *
11h55 6,4 graus
12h06 6 graus
  • * Na escala Richter

O epicentro do tremor de 6,9 de hoje foi na região de O'Higgins, ao sul de Santiago. O tremor durou mais de um minuto. Em Concepción, cidade mais atingida pelo megaterremoto de duas semanas atrás, houve pânico, porque objetos caíam das casas.

A transferência do poder da presidente socialista Michelle Bachelet para Sebastián Piñera ocorreu numa austera cerimônia, com tom menos festivo do que o habitual em respeito ao luto nacional devido ao terremoto. O recém-empossado chefe de Estado chileno, de 60 anos, recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente do Senado, Jorge Pizarro. Os presentes no Congresso aplaudiram Bachelet e Piñera, que, em seguida, cantaram o hino nacional.

Já em Rancagua, Piñera afirmou que as fortes réplicas que sacudiram a região central do Chile "danos significativos" ali. "Nesse momento estamos deslocando nossas equipes de emergência. Vamos ter uma avaliação mais precisa dos danos provavelmente no decorrer desta tarde", disse o presidente.

Em Constitución, as pessoas já estão voltando para suas casas, depois de ficarem por mais de uma hora no morro, para onde se dirigiram após o alerta de tsunami. Piñera continuou a pedir atenção ao tsunami. "Quero que obedeçam o alerta de tsunami preventivo. Não quero deixar as pessoas alarmadas. Mas é bom ter precauções", disse Piñera após a saída da posse ainda em Valparaíso.

Nas cidades costeiras de Viña Del Mar e Valparaíso, as pessoas foram para os morros com bolsas e sacolas de roupa. Viña del Mar é o local do Palácio Castillo, onde Piñera almoça com os presidentes estrangeiros.

Brasil monta hospital em Santiago

Com a saída de Bachelet, primeira mulher a ser presidente do Chile, chega ao fim uma era de duas décadas de governo da aliança de centro-esquerda conhecida como a Concertação, que chegou ao poder após a queda da ditadura de Augusto Pinochet. 

Uma passarela de pedestres caiu na Rodovia 5, principal ligação entre Santiago e o sul do país. Na cidade de talca, muito atingida pelo tremor de hoje, houve caos no trânsito e filas nos supermercados, já que a população temeu um possível desabastecimento na região.

Para financiar a reconstrução, o governo Piñera deve emitir títulos internacionais e aproveitar as reservas advindas da exportação de cobre.

O terremoto de fevereiro pouco abalou a mineração chilena, esteio da economia nacional, mas causou graves danos, na região centro-sul do país, à atividade vinícola, pesqueira e de produção de papel e celulose. Alguns analistas dizem que os prejuízos podem tirar até meio ponto percentual do crescimento econômico neste ano.

As autoridades chilenas já identificaram 497 mortos pelo terremoto e pelos tsunamis do dia 27 de fevereiro. A gestão Bachelet chegou a falar em 802 mortos, mas reduziu a cifra ao perceber que ela incluía, por engano, listas de desaparecidos.

Bachelet 2014

Michelle Bachelet se despediu nesta quinta-feira de ministros e funcionários do palácio presidencial de La Moneda pouco antes de deixar o cargo, em meio a clamores pela sua reeleição em 2014, embora tenha pedido para não especular com essa possibilidade.

Nas imediações de La Moneda, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres exibindo faixas e cartazes, pediram a sua reeleição daqui a quatro anos, quando serão realizadas novas eleições presidenciais.

"Em 2014 vamos repetir o prato", disse uma mulher que, junto com outras amigas, exibia uma enorme faixa com os dizeres "Obrigada, presidente, nos vemos em 2014".

O empresário Piñera é uma das pessoas mais ricas do mundo, segundo a revista Forbes. O ex-senador é economista, formado em Harvard.

Comunistas de volta

Com a posse de Piñera, a direita volta ao poder desde a saída do ditador Augusto Pinochet, em 1990. Mas nesta quinta-feira (11) também os comunistas voltam à cena política depois de 37 anos de banimento. Três deputados do PC chileno foram eleitos e assumiram seus cargos no Congresso, em Valparaíso. Os comunistas estavam ilegais desde a ditadura, e as forças militares pressionavam para que não voltassem à legalidade, mas os partidos de sustentação de Michelle Bachelet, os socialistas e democratas-cristãos, aprovaram a volta do PC.

* Com informações agências internacionais

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