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Ampliação de rodízio, implantação de pedágio urbano, expansão do metrô, melhoras gerais nas condições de transporte público... São muitas as idéias e projetos com intenção de reduzir o angustiante e crescente drama em que se tornou o trânsito da maior cidade da América Latina. O UOL ouviu especialistas para saber os prós e os contras das possíveis soluções para reduzir os congestionamentos em São Paulo. Investimento em transporte público e uma nova forma de ocupar a cidade foram apontados como os dois principais itens que ajudariam a desafogar o trânsito da capital paulista.

O transporte público, obviamente, porque é capaz de levar mais pessoas, ao mesmo tempo em que toma um espaço menor nas ruas do que um carro. Já a ocupação do solo, feita de forma desordenada e irregular em São Paulo, pode interferir de forma direta no número de deslocamentos diários na cidade.

Para o curto prazo, Horácio Figueira, consultor de trânsito da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), defende o investimento maciço nos corredores de ônibus. "O ônibus é a única solução a curtíssimo prazo. O metrô é muito demorado para implantar e muito caro", apontou. Mas para que isso aconteça, vai ser preciso muito pulso firme dos governantes para "apertar o automóvel", na avaliação do especialista.

Já o ex-secretário estadual de transportes de São Paulo Dario Rais Lopes lembra a importância de políticas que incentivem as pessoas a voltarem a morar no centro da cidade, que perdeu, nos últimos 11 anos, segundo ele, cerca de 400 mil moradores. "Se trouxermos essas pessoas de volta para o centro, evitaríamos algo na ordem de 700 mil a 1 milhão de viagens diárias", disse.

Para a maioria dos especialistas consultados, o rodízio é uma solução com prazo de validade vencido, e o debate sobre sua ampliação é impróprio para uma cidade prestes a entrar em colapso. A frota cresceu exponencialmente nos últimos 10 anos, chegando aos 6 milhões de veículos e hoje, com o rodízio, a frota liberada de multa (cerca de 4,8 milhões de veículos) é 20% maior do que o total de veículos existentes em 1997, quando a medida entrou em vigor, lembra Horácio Figueira.

VEJA ENTREVISTA COM EX-SECRETÁRIO
Outra solução bastante debatida, o pedágio urbano nas áreas centrais da cidade, divide os especialistas. Alguns, como Dario Rais Lopes, acham que a medida pode gerar recursos para a cidade. Outros fazem ressalvas ao modelo. "Será difícil chegar a um valor socialmente praticável e, ao mesmo tempo, capaz de reduzir os congestionamentos paulistanos de forma drástica. Sem contar a preocupação de como e onde esse dinheiro será empregado", afirmou o professor da Poli-USP (Universidade de São Paulo) e doutor em engenharia de transportes Hugo Pietrantonio.

A falta de vistorias regulares da frota e a escassa fiscalização nas ruas geram perdas para a cidade, na avaliação dos especialistas. O professor da Poli-USP e especialista em transportes Jaime Waisman estima que um terço da frota em circulação atualmente em São Paulo apresenta irregularidades, como multas e impostos pendentes, desrespeito ao rodízio municipal e não cumprimento das vistorias regulares. "Uma fiscalização mais eficiente poderia gerar uma receita de cerca de R$ 1 bilhão no primeiro ano. Este montante poderia ser aplicado, por exemplo, em transporte público", apontou.

Estacionamento, obras e logística
Com sucessivos recordes de congestionamento na cidade, a prefeitura resolveu agir e anunciou um pacote com medidas emergenciais para tentar amenizar o caos. Entre elas está a readequação do estacionamento em vias de grande movimento. Mais do que proibir os carros de parar nas ruas, Jaime Waisman acredita que é preciso, também, uma nova política de estacionamento para o centro da cidade. "A cada dia há mais espaços e os preços estão caindo. Isso atrai mais carros para a área central", disse.

Obras em 19 pontos de gargalo na cidade, novos horários para carga e descarga em 17 vias de grande movimento e a inclusão de caminhões no rodízio municipal também fazem parte do pacote. Hugo Pietrantonio questiona a eficácia das medidas da prefeitura. "O que está em discussão não parece cabível. Em grande parte das vias, os caminhões são 1%, 2%, 5% do tráfego e já se deslocaram para os períodos menos congestionados", argumentou.

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