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Atualizada às 18h25

Um grupo de ambientalistas se reúne hoje (18) no Clube Espéria, que fica às margens do Rio Tietê, a partir das 19h30, para discutir o projeto de ampliação da marginal.

Grupo de discussão

O que você pensa sobre o projeto de ampliação da marginal Tietê?

Organizado pelo coletivo Ecologia Urbana, o encontro deve juntar grupos com interesses distintos, como entidades representantes de arquitetos, a União de Defesa da Moradia, a torcida Gaviões da Fiel (que pode ter sua sede atingida pela obra) e outras organizações não governamentais. Mas o tom geral é de crítica ao projeto.

"O que a gente questiona é o modelo de obra viária. São elefantes brancos bilionários, que ou são instrumentos de retribuição a empreiteiras que financiam campanhas ou, em casos de boa fé, ignorância dos governantes em relação ao problema", afirma Rafael Poço, organizador do debate.

Para André Delfino, militante do Movimento de Defesa dos Favelados, a maior preocupação é com o que ocorrerá com as famílias que habitam próximo à marginal e que devem ser removidas (ele faz a ressalva de que não se sabe ainda exatamente o número, mas estima que podem ser atingidas de 500 a 1.000 famílias). Para Delfino, o projeto não diz claramente o que ocorrerá com elas. "É preciso conjugar o investimento. Se há investimento para a fluidez do trânsito, tem que pensar também no atendimento habitacional", afirma. Caso contrário, argumenta, as famílias removidas acabarão indo para novas favelas, possivelmente ocupando áreas de proteção de mananciais.

  • Rogério Cassimiro/UOL

    Na madrugada de terça para quarta, operário corta falsa figueira, para o início das obras de ampliação da marginal

  • Dersa/Divulgação

    Veja como deve ficar a marginal Tietê com as novas pistas

O início das obras da nova marginal foi anunciado no último dia 4 de junho, pelo governo José Serra (PSDB) e pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). O projeto prevê a ampliação de 23 quilômetros de pistas de cada lado, criando três novas faixas para circulação de carros, com o objetivo de reduzir os engarrafamentos na via.

Segundo o governo, a marginal Tietê apresenta filas de congestionamento de 30 km, em média, nos períodos de pico. Isso representa 25% do total de congestionamento medido na cidade de São Paulo e significa um desperdício de combustível de 1,5 milhão de litros/ano. O projeto está orçado em R$ 1,3 bilhão.

O governo também contabiliza como benefício indireto da obra a criação de 2.000 empregos diretos e 6.000 indiretos. No dia do lançamento do projeto, Serra afirmou que a ampliação da marginal "é uma obra que está tendo todo o cuidado ecológico, o que não é tradição em São Paulo, pois as obras e a devastação andavam de mãos dadas, mas isso acabou nos tempos atuais", disse. O projeto foi aprovado pelos órgãos ambientais do Estado e da prefeitura.

A obra prevê o plantio de 83 mil árvores como política de compensação ambiental, entre outras medidas.

Segundo artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo pelo arquiteto Jorge Wilheim, que foi secretário de governos estaduais e municipais de São Paulo, a obra resultará na perda de 116.235 mudas. Wilheim é contra o projeto em parte porque acredita que a região em que ocorrerá a ampliação, "a de mais alta temperatura do solo, será desprovida do que restava de vegetação, e esse fundo de vale não contará mais com sua pequena área permeável contígua".

Um dos argumentos usados pelos críticos da obra é a de duplicidade da obra com o Rodoanel. Para Poço, a ampliação da marginal vai perder o sentido quando o Rodoanel for concluído.

A mesma posição é defendida por Saide Kahtouni, presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas. Saide afirma que estudos apontam que 50% do tráfego da marginal é de veículos que passam pela cidade - e que poderão deixar de fazê-lo quando as obras do Rodoanel forem concluídas. Aí, seria hora de pensar em diminuir o número de pistas da marginal, não de aumentá-las.

Ampliação da marginal

Alguns argumentos a favorAlguns argumentos contrários
Redução dos congestionamentosRodoanel é a obra pensada para resolver o problema
Economia de tempo e de combustívelProjeto privilegia o carro em vez do transporte coletivo
Projeto prevê compensações ambientaisObra dificulta ainda mais a reintegração do rio à cidade
Criação de 2.000 empregos diretos e 6.000 indiretosAumento da impermeabilização do solo pode gerar novas enchentes
Kahtouni fez circular nesta terça-feira (16) na internet um texto que critica o projeto de criação de novas pistas. "O projeto de construção de mais pistas, ocupando os já exíguos espaços remanescentes junto ao rio Tietê, representa, neste momento, uma posição anacrônica em relação aos projetos urbanísticos e processos de gestão urbanos mais avançados do mundo. Significa a mera continuidade de políticas urbanas já ultrapassadas, que subordinam a paisagem urbana a uma suposta funcionalidade, exercendo a função de mero suporte para a circulação de veículos e suas engenharias", escreveu. Há também um abaixo-assinado contra a obra, liderado pelo grupo de trabalho Patrimônio Histórico do Instituto dos Arquitetos do Brasil - seção São Paulo. O site do IAB-SP registra pouco mais de 70 assinaturas contra a ampliação.

As obras já estão em andamento. Nesta madrugada, por exemplo, foram bloqueadas para ações da fase inicial dos trabalhos, como derrubada e remoção de árvores, a pista expressa entre as pontes da Vila Guilherme e Vila Maria, sentido Ayrton Senna, e a pista local em dois pontos, 600 metros antes da ponte da Vila Maria e 50 m depois da ponte do Piqueri, também no sentido Ayrton Senna. Algumas árvores já foram derrubadas, entre elas algumas grandes falsas figueiras. A previsão é que uma primeira fase da ampliação seja entregue já em 2010.

O UOL Notícias procurou na quarta-feira (17) a estatal Dersa, responsável pela obra, para tratar das questões ambientais do projeto, mas, segundo a assessoria de comunicação, não era possível atender à reportagem porque a empresa estava preparando uma audiência pública que ocorreria nesta quinta-feira sobre o trecho leste do Rodoanel.

Na tarde de quinta, a Dersa respondeu, por e-mail, a questões encaminhadas pelo UOL Notícias. Segundo a estatal, "a área verde a ser suprimida será compensada pela criação de caminhos verdes, ou seja, reforma das calçadas que serão desempermeabilizadas para o recebimento de cobertura vegetal, na área de influência direta do empreendimento".

A Dersa disse ainda que não há duplicidade nas obras de ampliação da marginal e do Rodoanel são complementares e que os estudos de impacto ambiental "constataram que a influência da operação do Trecho Norte do Rodoanel não é suficiente para permitir a fluência do trânsito na Marginal".

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