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Usar a bicicleta na pista do canteiro central da avenida Sumaré (zona oeste de São Paulo) significa enfrentar uma corrida de obstáculos. Há buracos, blocos de concreto em desnível, falta de equipamentos de sinalização e segurança, raízes de árvores que rasgam o concreto e viram "lombadas naturais". As árvores que garantem uma boa sombra durante o dia deixam a pista escura à noite.

Inaugurada nos anos 1990, a ciclovia tem apenas 1.350 metros - é pouco, mas representa quase 10% dos 14,8 km de ciclovias que São Paulo tem em vias públicas (a prefeitura promete implantar mais 100 km de ciclovias e ciclofaixas até 2012). Atualmente, ela está sob a responsabilidade da subprefeitura da Lapa. A subprefeita da Lapa é Soninha Francine (PPS), que, durante a disputa pela prefeitura em 2008, defendeu o estímulo ao uso da bicicleta na cidade.

Em resposta por e-mail a perguntas encaminhadas pelo UOL Notícias, Soninha classificou a situação da ciclovia como "uma sequência de erros nossos (da administração pública, me incluindo nisso)". Segundo ela, a ciclovia "nunca chegou a ser uma ciclovia útil para fins de locomoção; não tem início nem fim, é só uma passarela, boa para lazer e passeios, o que desestimula muito o uso no dia a dia".

A prefeitura não chama mais a pista do canteiro central da Sumaré de ciclovia. Agora, ela é tratada como "passeio", capaz de servir tanto ciclistas quanto praticantes de cooper.

Embora não haja sinalização na via indicando a mudança, de fato, nos finais de semana, a pista é usada intensamente por corredores e por pessoas que fazem caminhadas (nem por isso menos expostas aos problemas do piso) - os ciclistas, quando a pista está cheia, são minoria, e muitos preferem usar a própria pista da avenida para circular. Durante a semana, a divisão entre os poucos pedestres e os poucos ciclistas é mais homogênea.

A criação da ciclovia e sua adoção como passeio, no entanto, ampliaram em muito o alcance da obra: mesmo nos dias de semana, pelos caminhos deixados no gramado do canteiro central após o fim das duas pontas da ciclovia, é possível observar que ela não se limita ao trecho concretado. Além disto, a diversidade das árvores na Sumaré e na avenida Paulo 6º é resultado de plantio informal, mas frequente, de mudas, realizado por frequentadores da área.

Sem prazo e sem orçamento
Segundo a secretaria de Coordenação das Subprefeituras, "existe um projeto de remodelação e requalificação do canteiro central, que prevê mudanças no piso, na iluminação, na sinalização e na vegetação, o que aumentará a segurança dos usuários - pedestres e ciclistas". Esse projeto, no entanto, ainda não tem orçamento nem prazo para ser realizado. "O orçamento e o prazo para realização da obra ainda estão no papel, ainda não há uma previsão oficial", diz nota da Coordenação das Subprefeituras.

Soninha diz ainda que a ciclovia, por ser pouco usada, ficou mais sujeita à deterioração. "Por incrível que pareça, o desgaste de não usar é maior e pior do que o desgaste do uso. E tem coisas relativamente fáceis (tapar buraco), mas outras bem difíceis, como remediar os danos causados por raízes de árvores que erguem o piso."

Segundo ela, "para complicar", "havia áreas em estado muito pior na região da Subprefeitura - no Jaguaré, Vila Piaí, Jardim Humaitá". "Com poucos recursos, preciso escolher onde atacar primeiro, e comecei pelas periferias. Para complicar mais ainda, como existe a expectativa de um grande projeto, os pequenos remendos ficam em segundo plano - daí vem a expressão manjada: 'o ótimo é inimigo do bom'", completou.

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