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Fernando Rodrigues



23/07/2011
O astral de Dilma

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - A conversa estava marcada para as 11h30. Às 11h34, Dilma Rousseff começou o encontro ontem com cinco jornalistas numa sala do terceiro andar do Palácio do Planalto. Eis aí uma característica rara nos políticos, a pontualidade.
Ela surgiu calma, usando um terninho preto e aparentando estar mais magra. E a saúde? Respondeu de maneira telegráfica a essa pergunta: "Está muito bem".
A presidente parece sorver com prazer o seu atual momento. Demonstrou segurança ao falar da razia que protagonizou no Ministério dos Transportes. Queria dar uma informação pontual. Encaixou o dado na parte final da entrevista: vai mandar embora todos os diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Valec, a estatal federal do setor de ferrovias.
Dilma parece satisfeita com esse primeiro round da disputa entre o Planalto e uma parte da fisiologia mais abjeta da micropolítica nacional. Não está claro qual será o resultado final do embate, mas certamente ela hoje está em vantagem sobre a turma da rapinagem.
A presidente falaria por 30 minutos. A conversa durou uma hora e meia. Não se permitiu gravar o áudio nem fazer fotografias.
Houve poucas menções ao trabalho da mídia. Uma delas: "Tem coisas que saem no jornal que não correspondem à realidade. Eu entendo que dá manchete ter crise". Era uma referência às relações conturbadas entre o Planalto e o Congresso -que correspondem à realidade, como se sabe.
A partir da próxima semana, a presidente deve ficar mais fora de Brasília. Participa em Arapiraca, em Alagoas, de uma cerimônia do Brasil sem Miséria. No meio da semana, estará no Peru, na posse de Ollanta Humala. E no sábado, vai ao Rio para o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo. Dilma está mais solta. As demissões fizeram bem ao astral do Planalto. Quanto vai durar isso, ninguém sabe.



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