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31/01/2009 A maior aliança do Ocidente Fernando Rodrigues De Brasília Ganhe quem ganhar na segunda-feira as disputas para presidente da Câmara e do Senado, a mensagem mais eloquente é uma só: não existe lugar no planeta com uma massa de políticos tão sem ideologia como o Congresso Nacional. E essa não é apenas a opinião de um repórter mal-humorado e habituado a conversar com deputados e senadores por dever de ofício. Há fatos mostrando de maneira escancarada o estado avançado de geleia geral no Poder Legislativo. Antes das reclamações de sempre, faço a ressalva de praxe: há exceções. Mas são apenas os casos isolados confirmando a regra. Na Câmara, montou-se uma aliança de 15 partidos totalizando 424 deputados (83% do total). O grupo foi batizado de blocão. Nos anos 70, Francelino Pereira, um ex-governador de Minas Gerais, referiu-se à Arena como o maior partido do Ocidente. Tratava-se da sigla de sustentação da ditadura militar, que foi criada num ambiente de falsa democracia para abrigar os mais diferentes interesses sob o mesmo teto. O blocão não é muito diferente. Guardando-se as devidas proporções -ninguém defende uma ditadura- , hoje estão abrigados embaixo do mesmo guarda-chuva PT, PSDB, DEM, PMDB e outras 11 siglas. Mas, tal como ocorria com a Arena em sua fase final, a aliança atual mais se assemelha a uma peneira dado o alto número de defecções. Na eleição de segunda-feira, os dirigentes do blocão falam abertamente em 80 traições. Os opositores do blocão estimam em quase 200 o grupo de infiéis. O cenário não é propriamente uma surpresa. Mas sempre choca quando se vê ao vivo. Uma vitória do blocão servirá para que se conheça a atual taxa de traição dentro do Congresso. No caso de derrota, será a maior demonstração de hipocrisia e cinismo já produzida na política brasileira recente.
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