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24/06/2009 A banalização do mal Fernando Rodrigues Em Brasília A Câmara saiu de seu estado de criogenia depois de alguns dias. Anunciou anteontem a absolvição do deputado que usou dinheiro público para pagar passagens aéreas da namorada, da mãe da namorada e de alguns artistas. O perdão ao deputado saiu mais caro do que a despesa produzida pela farra aérea do político. Dois pareceres jurídicos sustentando a operação abafa custaram R$ 150 mil. É a Câmara gastando dinheiro e dando proteção aos seus. A Casa comandada pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP) parece ter também enxergado uma janela de oportunidade em meio à crise do Senado. Fora dos holofotes, optou por atrasar em 30 dias a conclusão da sindicância sobre revenda ilegal de bilhetes aéreos. São um atentado à lógica duas das razões apresentadas para finalizar a investigação só no meio do recesso congressual de julho: 1) as companhias aéreas estariam demorando para liberar os dados; 2) há muitos papéis em análise. Os argumentos são invertebrados. As informações não apresentadas pelas companhias estão nos arquivos digitais dessas empresas. Nenhuma delas resistiria a entregar o papelório em 24 horas se o presidente da Câmara telefonasse pedindo. Esse é o ponto: não está claro se o desejo real de Michel Temer é investigar os delitos. Sobre as centenas de documentos do processo, a Câmara tem perto de 15 mil funcionários. Se 1% fosse convocado, em um dia o caso poderia ser esclarecido. Tudo somado, há uma banalização dos desvios administrativos e ilegalidades. O mal é praticado, todos fingem indignação, nada é apurado para valer, o assunto vai sendo abafado até morrer de uma vez. Nos últimos dias, a Câmara tirou a sorte grande. Colocou uma pizza gigante no forno e ninguém deu pelota, pois no Senado farras mais recentes monopolizam as atenções.
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