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29/06/2009 A cabeça analógica do Congresso Fernando Rodrigues De Brasília Um monstrengo está em gestação na Câmara: regular a internet como se fosse um meio de comunicação tradicional. É uma mistura de má-fé com o pensamento analógico dos políticos. O caso exemplar é a intenção de regulamentar debates na internet como se fossem na TV ou no rádio. Hoje, tais encontros só ocorrem se todos os candidatos participam. O resultado é conhecido. O debate (sic) mais parece um trem fantasma de parque de diversões. Gente inexpressiva vociferando propostas inexequíveis, de aerotrem a auditoria da dívida externa. Perdem todos, sobretudo os eleitores que ficam desinformados. Essa regulamentação esdrúxula se ampara no frágil argumento de as emissoras serem concessões públicas. A mídia eletrônica tradicional é então obrigada a dar espaço igual aos políticos no período eleitoral -como se todos tivessem a mesma importância, representatividade e interesse jornalístico. O DNA dessa imposição é a antiga Lei Falcão, da ditadura militar (1964-1985), que só permitia propaganda com a foto, o nome e um breve currículo de cada candidato. Será uma violência à la Irã inocular de maneira compulsória essa tutela de conteúdo na internet. Diferentemente do que ocorre com uma TV ou rádio, qualquer pessoa pode abrir um site quase sem dinheiro. A melhor imagem para descrever a internet é a de um "passeio público virtual". Na web, como numa calçada ou na rua, cada um debate com quem bem entende. Quando essa liberdade for extinta, foi-se também a democracia. Mas a Câmara nesta semana finalizará uma proposta de lei obrigando todos os sites a seguir as regras da TV e do rádio. Não só para debates, mas na produção de reportagens, charges ou críticas. O objetivo é manter o status quo. Os políticos têm medo do novo. Eles sabem muito bem o risco que correm.
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