|
|
24/08/2009 Patrimonialismo na informação Fernando Rodrigues De Brasília O episódio Dilma Rousseff x Lina Vieira, sobre a tal reunião secreta entre ambas, revela também um tipo específico de patrimonialismo. No caso, a atitude de quem assume um cargo público e imagina-se dono dos documentos e dados produzidos enquanto está no poder. Esse patrimonialismo no trato da informação não é invenção de Lula. A cultura está instalada há décadas em todos os níveis de governo. Mesmo no período mais democrático da história do país, FHC e Lula adotaram comportamentos similares. O tucano gravava fitas de áudio relatando sua rotina. A intenção, assim consta, é divulgar esse tesouro algum dia -mas não há notícia precisa de quando o ex-presidente liberará os dados. De maneira análoga, Lula tem quase sempre ao seu lado uma assessora anotando num laptop o conteúdo de reuniões. Só para consumo interno e do presidente. Como foi exatamente a decisão sobre a flexibilização do câmbio, em 1999? O que os ministros diziam a FHC? E em 2005, na fase aguda do mensalão, qual era o teor das reuniões políticas de Lula no Planalto? Nada foi gravado nem registrado de maneira oficial. De volta ao caso Dilma x Lina. É uma demonstração de atraso institucional a Casa Civil e a Receita Federal não terem um sistema seguro e confiável no qual esteja registrado, pelo menos, com quem se reúnem os chefes desses órgãos. Na sexta-feira, o Planalto piorou o quadro. Informou que as imagens do seu circuito interno são apagadas a cada período médio de 30 dias. O estrago está feito. Se olhar para a frente, Lula pode lustrar a biografia tomando uma decisão nessa área: baixar uma norma obrigando o alto escalão federal a manter registros rígidos de todas as reuniões dentro do governo. Mesmo que algo fique em sigilo agora, pelo menos no futuro o país conhecerá melhor a sua história.
| ||||||||
|
Enquetes
Computando seu voto...
Carregando resultado
Humor - Angeli
|
![]() |