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04/11/2009 Clima, moeda de troca Fernando Rodrigues De Brasília Lula se reuniu ontem de novo com alguns de seus ministros para tentar formular qual será a política do país para conter o avanço das mudanças climáticas. Nada ficou decidido. Continua a queda de braço entre desenvolvimentistas e ambientalistas. Há um conflito entre quem deseja proteger o meio ambiente e aqueles cujo argumento é a favor de mais crescimento econômico -o que causaria mais poluição. Uma outra explicação é da linha utilitarista. O Brasil se mantém reticente em adotar metas ousadas de redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa porque 2010 é um ano eleitoral. Doadores graúdos de campanha são do setor agropecuário. Ficariam irritados com regras ambientais rígidas. Uma hipótese assim nunca deve ser descartada. Dinheiro em eleição é um tema delicado. Mas não parece crível um presidente com até 80% de popularidade em algumas pesquisas estar muito preocupado com a opinião de plantadores de soja ou de criadores de gado. O principal fator a nortear o titubeio público e deliberado do Brasil tem conteúdo geopolítico. A posição brasileira sobre o clima está sendo usada como moeda de troca na relação com outras nações emergentes e algumas desenvolvidas. O governo Lula não deseja melindrar nem constranger seus aliados adotando metas arrojadas para redução de gases do efeito estufa. Em contrapartida, espera continuar a acumular apoios para um assento permanente do país no Conselho de Segurança da ONU. No dia 14, Lula faz uma nova reunião. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, já antecipou a intenção de não fixar metas: "Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números". Assim será. Se der tudo errado, o Brasil fica sem vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e com a fama de mau gestor de seus recursos naturais. É alta a aposta de Lula.
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