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Queda do Iraque seria novo sinal de colonialismo no mundo (Ramonet)
13h41 - 10/04/2003






CARACAS, 10 abr (AFP) - A aparente queda do regime no Iraque mostra um novo sinal de colonialismo que pode se estender a países como Síria, Irã, Cuba ou Venezuela, advertiu esta quinta-feira o diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet.

Afirmou que a virtual queda de Saddam Hussein "é um novo sinal colonial de novo tipo sobre o qual é preciso refletir" e assinalou que a ação bélica impulsionada pelos Estados Unidos é uma "situação perigosa" para nações no Oriente Médio e América Latina.

Ramonet se ocupou do tema na abertura do Encontro de Solidariedade com Revolução Bolivariana, em um teatro en Caracas, no qual participam ativistas antiglobalização para analisar o primeiro aniversário do efêmero golpe de estado que a 12 de abril tirou Hugo Chávez por 47 horas do poder.

Ele afirmou que nesta guerra os Estados Unidos "conheceram a derrota diplomática mais importante de sua história" ao impulsionarem um conflito "sem argumentos convincentes" e com o amplo rejeição da comunidade internacional.

Lembrou que a ocupação americana em Bagdá "não tinha ocorrido desde a época das grandes conquistas".

"Esta é a primeira vez que uma grande potência ajudada por algumas forças subjetivas aliadas invade um país e anuncia oficialmente que o vai administrar", acentuou.

Qualificou como "preocupante" que os Estados Unidos tenham "transgredido" a lei internacional", pois o colocam como "um Estado delinquente e foragido" perante a opinião pública internacional.

Ramonet, também, descartou que a guerra seja originada apenas pelo controle do petróleo e explicou que ela também tem motivações "ideológicas" que pretendem impor a visão de Washington no Oriente Médio.

"Nosso temor é que depois da conquista do Iraque sejam invadidos Irã e Síria", insistiu Ramonet, assegurando que o enfraquecimento da Opep é outro objetivo dos americanos neste conflito.

Prognosticou o estabelecimento de um protetorado no Iraque, com o qual os Estados Unidos vão impor "um estado militar de novo tipo" ou uma "democracia militar" que será o braço armado da globalizaão.

Por isso, indagou se os Estados Unidos querem estabelecer uma democracia no Oriente Médio, "por que não o fazem no Egito onde o general (Hosni) Mubarak tem mais de 30.000 presos políticos?".

O fórum será encerrado domingo 13 de abril pelo presidente Hugo Chávez.

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