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Blix denuncia falsificação de documentos antes da guerra contra o Iraque 08h13 - 22/04/2003
LONDRES, 22 abr (AFP) - O chefe dos inspetores de desarmamento da ONU, Hans Blix, que se reuniu esta terça-feira com o Conselho de Segurança para falar do eventual retorno de sua equipe ao Iraque, denunciou a falsificação de documentos para justificar a guerra no Iraque, em uma entrevista antecipada parcialmente pela BBC (rádio).
"Era surpreendente ver que uma parte tão importante dos documentos em que se basearam as capitais (Washington e Londres) para construir seu informe (contra o Iraque) não era sólida", declarou Blix nesta entrevista, que será transmitida no sábado integralmente pela rede de televisão BBC2.
"Há exemplos flagrantes", acrescentou Blix no âmbito do documentário 'O caminho da guerra: a história secreta'. "Ouvimos falar de um contrato entre o Iraque e Níger, da importação de 500 toneladas de urânio. Entretanto, quando a Aiea (Agência Internacional da Energia Atômica) conseguiu obter o contrato, não lhe foi muito difícil descobrir que era falso, que foi simplesmente falsificado", explicou Blix.
E continuou: "É muito preocupante. Quem o falsificou? Não é inquietante ver que os serviços de inteligência (americanos e britânicos), que deveriam ter todos os meios técnicos à sua disposição, não descobriram que se tratava de uma falsificação".
Interrogado sobre se estava acusando esses serviços de inteligência de ter falsificado documentos por ordem de Washington e Londres, Blix respondeu que não ia "tão longe".
Quanto ao papel do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell - que em um pronunciamento ante o Conselho de Segurança antes do conflito, antecipou umas "provas" contra o Iraque, que o próprio Blix qualificou de infundadas -, o chefe dos inspetores também mostrou prudência.
"Quando alguém está acima (da hierarquia) e recebe documentos, não pode comprovar tudo", disse. O que intriga Blix é que os serviços de inteligência envolvidos não o fizeram.
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