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Orgia gigante provoca atritos entre China e Japão
09h27 - 29/09/2003




Por Cindy Sui



PEQUIM, 29 set (AFP) - Três dias de orgia entre centenas de turistas japoneses e prostitutas locais em um hotel do sul da China provocaram esta segunda-feira novos atritos entre Pequim e Tóquio, ao mesmo tempo em que evidenciaram uma certa hipocrisia sobre uma indústria do sexo em plena expansão no país de Mao.

O Governo chinês pediu ao Japão que ensine seus súditos a comportar-se melhor e condenou como "extremamente odiosa" a maratona sexual realizada entre os dias 16 e 18 de setembro em um hotel de luxo em Zuhai, na província meridional de Guangdong.

Como circunstância agravante, a orgia acabou no dia do 72§ aniversário da invasão japonesa à China, em 1931, um passado que continua presente nos dois grandes países do Extremo Oriente mais de meio século depois do final da guerra.

O incidente desencadeou a indignação dos meios de comunicação oficiais chineses e dos internautas em um país onde a prostituição é ilegal.

O hotel foi fechado temporariamente e se iniciou uma investigação.

Várias pessoas já foram detidas e a polícia lançou uma operação "cidade limpa" nos locais de prazer que até então atraíam turistas de várias regiões.

"O que ocorreu foi odioso", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Kong Quan. "Os estrangeiros devem respeitar as leis chinesas. Esperamos que o Governo japonês procure melhorar a educação de seus cidadãos a esse respeito", acrescentou.

Na imprensa, são muitos os relatos onde aparecem os sentimentos antijaponeses por parte de chineses que se declaram convencidos de que a data da orgia foi escolhida especialmente para humilhar a China.

Segundo depoimentos citados pelos jornais, os turistas, quase 400 japoneses de idades entre os 16 e os 37 anos, não esconderam o fato de terem ido a Zhuhai com uma finalidade bem precisa.

O Zuhai International Convention Center Hotel estava cheio de homens agarrando as prostitutas nos elevadores e corredores.

As portas aparentemente foram deixadas abertas e se podia ver e escutar até três ou quatro mulheres por quarto ocupadas com os clientes.

Os meios de comunicação explicaram que o serviço comercial do hotel organizou a festa e que a responsável pelo salão de festas do estabelecimento recrutou as prostitutas nos numerosos clubes, bares de karaokê e outros locais quentes de Zuhai, onde a polícia fez batidas durante o final de semana.

O incidente também lembrou que as relações entre China e Japão continuam sendo sensíveis devido ao passado.

Mais de 65.000 mensagens foram enviadas a uma página chinesa na internet para denunciar o atentado contra a honra nacional. Alguns internautas pediram o boicote aos produtos japoneses.

Entretanto, entrevistas com fontes ligadas ao hotel indicam que a data da orgia foi pura coincidência, pois não foi a primeira vez que japoneses organizaram uma excursão de turismo sexual.

Embora o Japão seja hoje o maior sócio comercial da China, a lembrança das atrocidades cometidas por seu exército imperial no território chinês nos anos 30, incluindo as violações e a escravidão sexual, continuam presentes.

Porém, a reação chinesa não está isenta de hipocrisia. O tom escandalizado das autoridades não apagará o fato de que as cidades do sul da China têm uma sólida reputação entre os adeptos das orgias provenientes do resto do país, de Taiwan e de Hong Kong.



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