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Captura de Saddam Hussein: uma bênção para Tony Blair
16h17 - 14/12/2003


Por Olivier Lucazeau LONDRES, 14 dez (AFP) - Há meses na defensiva frente ao expediente iraquiano, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi a primeira fonte ocidental a anunciar oficialmente neste domingo a captura de Saddam Hussein, um privilégio que poderia acalmar, momentaneamente, seus detratores.

Ao confirmar a detenção do ex-presidente iraquiano, Tony Blair se adiantou em mais de uma hora à primeira declaração oficial americana, feita via Paul Bremer, administrador civil americano no Iraque.

Criticado há meses por ser o "cãozinho" de Bush, o primeiro-ministro britânico ganhou claramente um ponto frente a seus detratores com sua declaração, pronunciada antes mesmo que o presidente George W. Bush se expressasse pessoalmente.

"Acolho com grande alegria a captura de Saddam Hussein na noite passada", disse Blair pouco depois das 09h00 de Brasília, confirmando oficialmente a primeira declaração feita pelo líder da União Patriótica do Curdistão, Jalal Talabani, à agência de notícias iraniana Irna.

"Esta notícia acaba com o pesadelo que existia há muito tempo entre o povo iraquiano quanto a uma volta ao poder do regime de Saddam", continuou o premier britânico, cumprimentando "o trabalho feito pela coalizão e pelos serviços de informação, que permitiram esta detenção".

O provável "presente" dos americanos para seu fiel aliado britânico chegou após a visita de Estado feita por Bush à Grã-Bretanha em novembro passado, durante a qual Blair não conseguiu nada de concreto, especialmente no que diz respeito aos prisioneiros britânicos em Guantánamo.

Aparentemente, a compensação chegou neste domingo.

Se a captura de Saddam Hussein pode fazer subir a popularidade do primeiro-ministro, isto não resolverá todos os problemas que as forças britânicas e americanas enfrentam no Iraque, avaliou Paul Wilkinson, professor da Universidade de Saint Andrews e conhecido especialista em terrorismo.

"Ainda restam no Iraque numerosas facções, especialmente de nacionalistas extremistas, que odeiam totalmente as forças da coalizão", disse Wilkinson.



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