Estudantes protestam contra a guerra em SP, Brasília e Rio
16h53 - 21/03/2003
SÃO PAULO (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi o principal alvo dos protestos realizados por estudantes em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro nesta sexta-feira. Eles pediram paz gritando palavras de ordem, jogando ovos e até arriscando cenas de nudez para condenar a guerra ao Iraque.
Em São Paulo, houve a maior manifestação até o momento, com cerca de 2.000 manifestantes reunidos na avenida Paulista para protestar contra o ataque liderado pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha bradando frases como "Bush tirano, troca de petróleo pelo sangue iraquiano" ou "Chega de bomba, chega de ataque, fora o imperialismo no Iraque".
A manifestação saiu do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e terminou na frente do consulado dos Estados Unidos. No final da manhã, a pequena multidão, composta principalmente por jovens ligados à União Nacional dos Estudantes (UNE) desceu para as ruas dos Jardins para entregar um pano com mensagens contra a guerra às autoridades. "Pretendíamos entregar um pano de 12 por 6 metros no qual as pessoas colocaram mensagens, mas o consulado estava fechado", disse à Reuters por telefone Dirceu Travesso, um dos coordenadores do movimento "Comitê São Paulo Contra a Guerra".
Segundo ele, funcionários do próprio consulado colocaram faixas brancas com a palavra paz nas janelas do prédio.
Uma funcionária do consulado disse à Reuters que a representação dos EUA fechou devido à manifestação.
Em janeiro, o movimento já havia entregue um documento para o consulado dos EUA pedindo para que o país não liderasse uma ação contra o Iraque.
BRASÍLIA:LEGIÃO DÁ O TOM
Em Brasília, cerca de 500 estudantes protestaram no pátio da embaixada dos Estados Unidos. Um deles, vestindo camiseta do Partido dos Trabalhadores, furou o cordão de isolamento da polícia militar e atirou uma pedra dentro do prédio, sendo barrado e retirado em seguida. Outro abaixou as calças e mostrou a palavra "paz" estampada nas nádegas aos fotógrafos.
Cantando trechos da música "O Senhor da Guerra", do Legião Urbana, e gritando "não à guerra do senhor Bush", os jovens queimaram duas bandeiras dos EUA e jogaram ovos e garrafas plásticas nos policiais. A embaixada não interrompeu suas atividades durante o protesto, informaram funcionários.
"Na pior das hipóteses as manifestações no Brasil e no mundo vão mostrar que a sociedade é contra a formas bélicas pelas quais os países se relacionam", disse à Reuters o diretor da UNE, Christian Nascimento, de 26 anos.
RIO:OVO NA ESTÁTUA
No Rio, uma clima de tensão marcou o protesto cerca de 30 estudantes, que foram reprimidos por um número quase igual de policiais. "É mole com estudante, quero ver com traficante", bradavam os estudantes que tentavam se aproximar de uma réplica da Estátua da Liberdade em um shopping da Zona Oeste do Rio.
Munidos com ovos recheados de tinta vermelha, os estudantes não conseguiram chegar perto do alvo por causa dos policiais, e atiraram de longe acertando apenas três dos mais de 50 ovos jogados.
"Hoje é o petróleo amanha será a água da nossa Amazônia", disse à Reuters Alan Frick, 23 anos, presidente da União Estadual de Estudantes. Ele foi detido pela polícia após a manifestação, junto com outro estudante de 17 anos.
Além dos ovos, os estudantes queimaram cartazes com a foto do presidente norte-americano vestido de Hitler.
(Por Ana Carolina Giarrante e Sarah Rink)