Religiosos são presos em protesto contra a guerra nos EUA
21h23 - 28/03/2003
Por Adam Tanner
SÃO FRANCISCO (Reuters) - A polícia prendeu cerca de 75 monges, padres, rabinos e outros religiosos em São Francisco na sexta-feira, enquanto cerca de uma dúzia de manifestantes era detida nas proximidades da Casa Branca, em Washington.
Essas são as mais recentes prisões de manifestantes pacifistas no país desde que o presidente George W. Bush iniciou uma guerra que tem como objetivo desarmar o Iraque e derrubar o presidente Saddam Hussein.
Em São Francisco, freiras, padres, monges budistas, rabinos e outros religiosos uniram-se na sede da administração federal na cidade.
"Estamos aqui como judeus, cristãos, muçulmanos e budistas para proclamar que o mundo pode ser curado", disse o rabino Michael Lerner durante um culto ecumênico. Testemunhas presentes ao evento calcularam que cerca de 75 pessoas haviam sido presas.
Em Washington, manifestantes fecharam o trânsito a dois quarteirões da Casa Branca, usando canos de plástico para unirem-se uns aos outros. A polícia prendeu todos. O delegado de polícia Charles Ramsey disse que os canos precisaram ser cortados antes de os manifestantes serem levados.
Outro grupo de manifestantes vestidos com coloridos trajes circenses fizeram seu protesto em uma calçada próxima dali, carregando cartazes com as palavras "ganância" e "justiça". Um manifestante fazia malabarismos enquanto outro se exibia com um bambolê.
Na quarta-feira, cerca de 65 manifestantes foram presos em um parque na frente da Casa Branca, incluindo dois vencedores do Nobel da Paz.
Manifestações isoladas contra a guerra no Iraque viraram rotina em Washington, especialmente durante as horas de pico, quando o trânsito fica mais lento na cidade.
Em São Francisco, mais de duas mil pessoas já foram presas desde que a guerra começou. Nesta semana, houve menos protestos.
Um levantamento da Associação Americana de Prefeitos apurou que São Francisco, com 775 mil habitantes, foi a segunda cidade a gastar mais dinheiro com o reforço da segurança desde o início do conflito.
A conta de 2,6 milhões de dólares, usada principalmente para pagar horas extras de policiais, só ficou atrás de Nova York, uma cidade com população dez vezes maior.
A polícia nova-iorquina prendeu 215 manifestantes na quinta-feira, incluindo cerca de 150 que haviam se deitado no meio da Quinta Avenida durante o horário de pico da manhã.