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Aumenta participação de latino-americanos em forças dos EUA
12h36 - 03/04/2003


WASHINGTON (Reuters) - A última notícia que Samuel Rocha teve do filho foi um email curto enviado na semana passada pelo oficial comandante da 229a. Companhia de Engenharia do Exército dos EUA: "Todos os integrantes da 229a. estão bem. Estamos em segurança."

Rocha e o filho, Samuel Rocha Jr., são colombianos. O filho alistou-se nas Forças Armadas cinco anos atrás para ajudar a pagar a faculdade. Agora, ele integra uma das unidades avançadas da 3a Divisão de Infantaria, que avança rumo a Bagdá (capital do Iraque).

"Ele gosta da disciplina militar," disse o pai, que mora em um bairro de Washington.

Rocha Jr., que chegou aos EUA quando tinha 2 anos de idade, não é o único membro hispânico da sua companhia. Na unidade há também um boliviano, um porto-riquenho e um argentino-peruano.

A presença deles nas Forças Armadas dos EUA dá mostras do peso cada vez maior dos latino-americanos nos quadros militares da superpotência. Alguns, como Rocha Jr., não são cidadãos norte-americanos e possuem apenas visto de residência.

Segundo o Pentágono (sede das Forças Armadas dos EUA), 122.500 hispânicos integram as Forças Armadas, cerca de 8,7 por cento do total de membros. Cerca de 50 mil possuem ascendência mexicana.

E esses números aumentaram nos últimos anos.

Em 1983, apenas 4 por cento dos novos recrutas eram de origem latino-americana. Em 2000, esse número pulou para 11,3 por cento.

MAIOR MINORIA DOS EUA

A tendência reflete o aumento desse grupo populacional nos EUA como um todo. Os hispânicos ultrapassaram os negros na qualidade de maior minoria do território norte-americano, com uma população de 37 milhões de pessoas, ou 13 por cento do total.

O papel dos hispânicos no conflito iraquiano também dá mostras das barreiras enfrentadas pelos imigrantes pobres, que possuem menos chances de serem oficiais ou de ocuparem postos privilegiados como o de piloto da Força Aérea.

José Gutierrez, nascido na Guatelmala, é um exemplo típico. Gutierrez saltou de um trem na fronteira do México com os EUA em 1997. Mais tarde, já com um visto de residência, ingressou no corpo de fuzileiros do país. Ele foi morto no porto de Umm Qasr no último dia 21 de março e foi uma das primeiras baixas dos norte-americanos.

Entre os mortos em ação até agora, há sete hispânicos. Quatro deles estão desaparecidos.

O governo mexicano, apesar de ter se oposto à guerra no Iraque, deu apoio aos familiares e amigos de soldados hispânicos envolvidos no conflito.

O presidente do México, Vicente Fox, enviou condolências para Jose Miguel Garibay, nascido no país e morto no conflito iraquiano.

Um mexicano-americano, Edgar Hernandez, é prisioneiro de guerra. Ele foi mostrado na TV na semana passada, com um ferimento no rosto.

(Reportagem adicional de Deborah Tedford, de Houston, e Karina Balderas, da Cidade do México)



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