Incursão dos Estados Unidos a Bagdá é mais mensagem que ataque
13h38 - 05/04/2003
Por John Chalmers
CAMPO AS SAYLIYA, Catar (Reuters) - A incursão diurna de forças norte-americanas contra Bagdá no sábado não foi a o ofensiva final, mas um truque para desmoralizar o inimigo e convencer os civis de que o presidente Saddam Hussein está acabado.
Declarações divulgadas no meio da manhã pelo quartel-general do Comando Central norte-americano, no Catar, sobre a chegada de tropas norte-americanas "ao centro da cidade," provocaram especulações de que a guerra contra o Iraque, iniciada 17 dias atrás, tivesse chegado ao seu clímax.
Mas um correspondente da Reuters que visitou os distritos do centro e do sul da cidade de cinco milhões de habitantes não encontrou forças norte-americanas, e algumas horas mais tarde o Comando Central esclarecia que não havia iniciado a invasão da cidade --estava simplesmente enviando uma mensagem.
"A mensagem... de certa forma é como colocar um ponto de exclamação no fato de que as tropas da coalizão estejam nos arredores de Bagdá... e demonstra à liderança iraquiana que ela não controla a situação", disse o major-general Victor Renuart.
Perguntado por que, dada a superioridade de seu equipamento de visão noturna, as tropas norte-americanas correriam o risco de entrar em Bagdá durante o dia, ele disse que "ficou claro para os moradores de Bagdá que as força da coalizão estavam na cidade. É uma imagem importante."
Os analistas concordam que em lugar de arriscar suas tropas em uma batalha urbana potencialmente sangrenta e prolongada, o general Tommy Franks esperava que essa incursão explícita mas limitada abalasse o moral do inimigo.
"Foi uma espécie de exercício de guerra psicológica", disse Tim Ripley, do Centro de Estudos de Defesa e Segurança Internacional da Universidade de Lancaster, na Inglaterra.
"Trata-se da ofensiva final, já que essa guerra está sendo combatida em termos psicológicos. Assim que o moral é abalado e a vontade de lutar esmorece, a guerra efetivamente está ganha. Mas não se pode determinar se o truque funcionou ou não, ainda. Nós veremos se teve efeito nas próximas horas."