Putin saúda queda de Saddam, mas critica operação militar
14h53 - 11/04/2003
SÃO PETERSBURGO, Rússia (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, disse na sexta-feira que o mundo ficava melhor sem Saddam Hussein, mas criticou o uso da força militar para derrubá-lo.
Falando ao lado do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, em uma conferência em São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, ele declarou: "Sempre dissemos que o regime de Saddam Hussein não correspondia à democracia e aos direitos humanos... mas não é possível resolver esses problemas com o uso da força militar."
Respondendo à pergunta de um participante da conferência, Putin, que mais tarde se encontraria com o presidente da França, Jacques Chirac, disse que 80 por cento dos países do mundo não alcançavam os padrões de democracia do Ocidente. "Vamos declarar guerra contra todos eles?", questionou.
"Se pesarmos o que ficou de bom e o que ficou de ruim nesta guerra, é positivo o fato de termos nos livrado de um regime tirânico. Mas, a que custo? Perdas, destruição e mortes. Essa é uma consequência negativa."
Putin, Chirac e Schroeder, todos contrários à guerra liderada pelos EUA, reúnem-se na cidade natal do líder russo para pressionar por medidas para que a ONU possa inspecionar o processo de reconstrução do Iraque.
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, tem rejeitado os apelos para que a ONU lidere a reconstrução do país. Na quinta-feira, uma autoridade do alto escalão do Pentágono sugeriu que França, Alemanha e Rússia contribuiriam mais com a reconstrução do Iraque caso perdoassem as dívidas de um novo governo iraquiano.