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Cruz Vermelha duvida que hospitais de Bagdá ainda funcionem
09h40 - 11/04/2003


GENEBRA, Suíça (Reuters) - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) disse na sexta-feira que duvida que algum hospital de Bagdá ainda esteja funcionando, em razão da "anarquia" nas ruas da cidade.

A porta-voz da ICRC Nada Doumani afirmou que havia acabado de falar com o funcionário da entidade Roland Huguenin-Benjamin, que está na capital iraquiana, e ele lhe disse que "provavelmente não há mais hospitais funcionando por causa dos saques, falta de pessoal médico."

"É anarquia", disse ele à porta-voz.

A equipe da Cruz Vermelha andou pelas ruas, mas não conseguiu visitar todos os hospitais da capital. Eles foram à Cidade Médica, no entanto, e encontraram poucas pessoas.

"As salas de cirurgia não estão mais funcionando. Não há mais instrumentos", afirmou Doumani.

"Isso significa que as pessoas não possuem neste momento acesso a tratamento médico. Isso é muito sério."

A Cruz Vermelha tem lembrado as forças dos EUA em Bagdá que eles estão comprometidos, segundo a Convenção de Genebra, a manter a ordem nas áreas sob seu controle.

A entidade mostrou-se alarmada diante do caos e dos saques observados tanto em Bagdá como em Basra, no sul do país, e pediu às forças britânicas e norte-americanas presentes no país que garantam um clima de legalidade.

"Nossa grande preocupação diz respeito à caótica situação de insegurança em Bagdá. Não sabemos quanto da infra-estrutura e dos serviços médicos ainda funciona", declarou Doumani.

A Cruz Vermelha disse na quarta-feira que o hospital Al Kinki, na região central de Bagdá, havia sido atacado por saqueadores armados, que levaram tudo, incluindo camas e equipamentos médicos.

O presidente norte-americano, George W. Bush, prometeu aos iraquianos na quinta-feira, em uma mensagem gravada e transmitida para o país árabe, contribuir com os esforços para garantir o respeito à lei no país.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, disse na quinta-feira que, aparentemente, não havia no Iraque nenhum governo em funcionamento e que a situação de anarquia deveria ser uma preocupação prioritária das forças norte-americanas.

Saqueadores também parecem ter danificado um encanamento de água vital para o suprimento de Basra, a segunda maior cidade do Iraque, com 1,5 milhão de habitantes. A cidade, sob controle das forças britânicas, enfrenta há vários dias problemas com a falta de água.



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