EUA não têm direito de explorar petróleo do Iraque,diz saudita
21h53 - 18/04/2003
Por Andrew Hammond
RIAD, Arábia Saudita (Reuters) - Os forças lideradas pelos Estados Unidos que invadiram o Iraque não têm direito legítimo de explorar o petróleo do país e as sanções econômicas das Nações Unidas devem ser levantadas apenas quando houver um governo iraquiano legítimo, disse o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Saud al-Faisal.
O dirigente árabe, falando depois de um encontro de oito países da região convocado para discutir o futuro do Iraque pós-Saddam, disse que as forças de ocupação devem restabelecer a segurança e sair do país o mais breve possível, permitindo aos iraquianos formar seu novo governo.
"Agora o Iraque está sob uma força de ocupação e qualquer pedido para levantar as sanções devem vir quando houver um governo legítimo que represente as pessoas...e que possa cumprir com as obrigações para levantar as sanções", disse Faisal a repórteres em Riad nesta sexta-feira (horário de Brasília).
Os Estados Unidos querem um final rápido para as sanções que já duram 12 anos, o que permitiria a venda de petróleo para levantar recursos para a reconstrução do país.
O primeiro forum regional pós-guerra também rejeitou as acusações dos Estados Unidos de que a Síria estaria dando abrigo a assessores próximos de Saddam e que teria armas químicas. A Síria nega ambas as acusações.
"(Os ministros) afirmaram que os iraquianos devem administrar e governar os seu próprio país, e qualquer exploração das reservas naturais devem ser feita em conformidade com um governo iraquiano legítimo e a sua população", disse Faisal, lendo um comunicado conjunto depois das discussões em Riad.
PAPEL CENTRAL PARA ONU
O encontro na capital saudita contou com a participação dos ministros de Relações Exteriores dos países vizinhos iraquianos Turquia, Irã, Síria, Kweit e Jordânia, e também do Egito e do Bahrain, e teve o objetivo de discutir as implicações para a região da vitória dos Estados Unidos.
Questionado se esses países pretendem participar da formação do novo Iraque, Faisal disse: "Nós não deixaremos que qualquer um de nós interfira nos assuntos internos iraquianos."
O comunicado conjunto pediu também um papel central para a ONU na reconstrução do Iraque. Os Estados Unidos estão relutantes em dar uma participação maior para a ONU e para a comunidade internacional nessa questão.
As sanções da ONU foram impostas ao Iraque depois da invasão ao Kweit em 1990. Elas permitem apenas algumas vendas limitadas de petróleo iraquiano, sob a supervisão da ONU, destinadas à compra de comida e medicamentos.
O presidente George Bush pediu na quarta-feira que as sanções sejam levantadas, mas a União Européia, que ficou dividida no apoio ou não à guerra, teme que a decisão, se for tomada rapidamente, reduza ainda mais a autoridade das Nações Unidas.
As sanções são o principal trunfo dos membros do Conselho de Segurança da ONU em tentar convencer os Estados Unidos a darem um papel maior às Nações Unidas na reconstrução do Iraque.
Anteriormente, o ministro de Relações Internacionais do Irã, Kamal Kharrazi, afirmara que os Estados Unidos deveriam sair do Iraque e deixar que a ONU ajude as pessoas no país a tratarem dos seus próprios problemas.
Com exceção da Síria e do Irã, todos os outros países que participaram do encontro são aliados dos EUA e deram algum tipo de apoio na invasão do Iraque.
Mas eles temem que os norte-americanos coloquem um governo fantoche no Iraque que venha até a aliar-se a Israel.
"(Os ministros) reforçaram a obrigação das forças de ocupação de acordo com a quarta convenção de Genebra de manter a segurança e a estabilidade...e reforçaram sua obrigação de sair do Iraque e deixar que os iraquianos exercitem seu direito de auto-determinação", disse o comunicado conjunto.