França defende aplicação da lei internacional no Iraque
10h28 - 23/04/2003
PARIS (Reuters) - A França prometeu na quarta-feira defender as leis internacionais "sob todas as circunstâncias" depois de os Estados Unidos terem sugerido que o país europeu sofreria as consequências por ter se oposto à guerra lançada pela superpotência no Iraque.
Apesar de o governo francês ter pedido inesperadamente na terça-feira pela suspensão das sanções contra o país árabe, os EUA continuam frios e o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, disse que as relações com a França seriam reexaminadas em vista da crise iraquiana.
O ministro francês das Relações Exteriores, Dominique de Villepin, em um comunicado divulgado durante uma visita dele à Turquia, disse que a França havia procurado, durante a crise, defender as leis internacionais e que a maior parte dos países do mundo concordava com ela.
"Durante toda a crise iraquiana, a França agiu com o apoio da maioria da comunidade internacional e de acordo com suas convicções e princípios para defender as leis internacionais", declarou. "Ela continuará a fazer isso sob quaisquer circunstâncias."
Para diplomatas, a mudança de postura do governo francês em relação às sanções é uma concessão aos EUA, que desejam a suspensão delas o mais rápido possível. Alguns especulam que o país pode tentar usar as negociações em torno do fim do embargo para pressionar a superpotência.
Questionado na terça-feira sobre se a França sofreria as consequências pelo fato de ter se oposto à guerra no Iraque, Powell disse: "Sim."
A França enfureceu os EUA antes da guerra por ameaçar o uso de seu poder de veto a fim de impedir a aprovação na Organização das Nações Unidas (ONU) de uma resolução que autorizasse o uso da força contra o Iraque.
Agora, o país europeu deseja a volta dos inspetores da ONU ao território iraquiano, medida a que os norte-americanos já disseram se opor.