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Explosões matam cerca de 40 em Bagdá, iraquianos acusam EUA
09h17 - 26/04/2003


Por Nadim Ladki

BAGDÁ (Reuters) - Até 40 iraquianos podem ter morrido e muitos ficaram feridos no sábado em uma série de explosões em um paiol de armas nos arredores de Bagdá, disse um médico à Reuters.

As tropas norte-americanas na cidade atribuíram as explosões a ataques de desconhecidos, mas moradores do local voltaram seu ódio contra os invasores, disparando contra os soldados que tentavam ajudar no combate às chamas.

Alguns militares ficaram feridos, disse um oficial à Reuters no bairro de Zaafaraniya, onde casas se misturam com indústrias, na zona sul da capital iraquiana.

O incidente mostra como Bagdá está longe de ser uma cidade pacífica, 17 dias após a ocupação norte-americana. As explosões aconteceram depois que assessores da Casa Branca anunciaram que o fim das hostilidades poderia ser declarado na próxima semana, marcando o sucesso da ação militar anglo-americana para derrubar Saddam Hussein.

Moradores de Zaafaraniya relataram que suas casas foram destruídas por foguetes que estavam no paiol. De acordo com esses relatos, muita gente ficou soterrada nos escombros. Um fotógrafo da Reuters viu muitos feridos, alguns com membros amputados. Em uma ambulância, um médico afirmou que havia 40 mortos.

Tamir Kalaal e sua irmãzinha, bebê, não estavam em casa quando um foguete atingiu o local, matando 14 parentes, inclusive o pai, um irmão e a mulher dele. "Eu fui o único que sobreviveu. Tudo o que tenho é ela", afirmou, soluçando e apontando para a irmã de um mês de idade.

Outro morador disse à Reuters que quatro mulheres e uma criança foram mortas na casa vizinha à sua.

"Forças hostis dispararam quatro rajadas contra a área de um depósito de munição. Uma das rajadas provocou uma explosão, que precipitou uma cadeia de explosões", disse o capitão Patrick Sullivan.

As explosões, que podiam ser ouvidas no centro da capital, duraram pelo menos uma hora. Inicialmente, tropas dos EUA no centro de Bagdá atribuíram o ruído a detonações controladas em um arsenal. Moradores do bairro disseram que nos últimos três dias as tropas dos EUA vinham carregando veículos com armas iraquianas e destruindo-as.

Kalaal não tem dúvidas sobre a tragédia. "Aqueles americanos fizeram isso", disse, brandindo o indicador no ar, em sinal de irritação.

Com a guerra encerrada, os militares dos EUA têm agora a missão de pacificar Bagdá, descobrir o paradeiro do ex-ditador Saddam Hussein e de seus dois filhos e encontrar as armas de destruição em massa que Washington acusava o antigo regime de possuir.

Os norte-americanos já prenderam 12 dos 55 membros mais importantes do regime de Saddam, inclusive o ex-vice-primeiro-ministro Tareq Aziz. "Vocês podem ter certeza de que essa gente está fornecendo informações que de fato são úteis", afirmou o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

"O que sabemos é que há pessoas que têm em grande medida as informações de que precisamos. Precisamos delas para localizar as armas de destruição em massa no país. Precisamos delas para localizar os laços terroristas entre o regime de Saddam e várias redes terroristas, e para eliminar a influência do Partido Baath [de Saddam]."

Em várias partes do Iraque, a situação é confusa, e não se sabe quem está no controle. A cidade sagrada de Najaf, por exemplo, está sendo governada por clérigos xiitas, sem consultar as tropas norte-americanas posicionadas nos arredores, informou na sexta-feira um dos grupos políticos dos xiitas no país.

Mas os próprios oficiais norte-americanos na região dizem estar em contato com um coronel iraquiano da reserva que foi nomeado prefeito e presidente do conselho de anciãos, do qual participam os clérigos xiitas.

Em Mosul, no Norte, a cooperação começou a substituir a violência e os saques, mas os moradores ainda temem problemas com as disputas de poder entre grupos rivais.

Os precários hospitais iraquianos tentam manter o atendimento, mas a restauração completa dos serviços pode levar meses, por causa dos saques. A maioria dos hospitais funciona com 25 por cento da capacidade, e alguns médicos não têm dinheiro para se deslocar até o trabalho.



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