Rumsfeld lança farpas contra críticos da invasão do Iraque
10h57 - 28/04/2003
Por Charles Aldinger
CAMPO DE AS SAYLIYA (Reuters) - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, parabenizou na segunda-feira os principais comandantes militares norte-americanos na guerra do Iraque e lançou farpas contra os críticos da invasão que derrubou Saddam Hussein.
"Havia muita gente torcendo contra, não é?", disse Rumsfeld, sob o aplauso dos militares.
O secretário está visitando o Golfo para agradecer o apoio dos líderes da região e debater as possíveis mudanças nas forças dos EUA na região no pós-guerra. Ele citou Winston Churchill ao falar a 1.000 soldados norte-americanos na base de onde a guerra foi conduzida.
Ele lembrou a declaração de Churchill sobre a batalha da Grã-Bretanha contra a Alemanha Nazista, de que "nunca no campo do conflito humano tanto foi devido por tantos a tão poucos."
"Nunca tantos estiveram tão errados sobre tanta coisa", disse Rumsfeld, a respeito dos críticos da guerra.
Ao lado do general Tommy Franks, comandante da operação, Rumsfeld elogiou as autoridades militares e a equipe do quartel-general, dizendo que a guerra foi histórica, apesar das alegações de que o Iraque não deveria ter sido invadido ou de que o número de soldados deveria ter sido maior para evitar a violência e os saques após a queda de Saddam.
Rumsfeld e Franks disseram que o povo iraquiano está livre da opressão e que a guerra foi conduzida com "compaixão" pela população civil.
Eles não mencionaram o fato de que as forças lideradas pelos EUA ainda não encontraram armas químicas ou biológicas do Iraque. Washington alegou que o principal motivo para a invasão era eliminar as armas de destruição em massa de Saddam.
"Quando a poeira estiver assentada no Iraque, os historiadores militares estudarão esta guerra", disse Rumsfeld.
"Eles examinarão a combinação sem precedentes de força, precisão, rapidez, flexibilidade -- e eu também colocaria compaixão -- que foi empregada."
PRESENÇA MILITAR
Autoridades de Defesa dos EUA recusaram-se a dizer se Rumsfeld também irá ao Iraque durante sua viagem pelo Golfo.
Ele debate com líderes locais a possível redução da presença militar dos EUA na região após a queda de Saddam.
Analistas militares dizem esperar uma redução significativa da presença militar na Arábia Saudita.
O jornal The New York Times disse na segunda-feira que o centro das operações militares dos EUA no Oriente Médio está sendo transferido da Arábia Saudita para o Catar nesta semana.
Rumsfeld já esteve nos Emirados Árabes Unidos e debaterá o tema militar com o emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa al-Thani.
O secretário de Defesa dos EUA também vai se encontrar com o ministro da Defesa da Austrália, Robert Hill, nesta segunda-feira. A Austrália enviou soldados para a guerra no Iraque, ao lado dos EUA e da Grã-Bretanha.