PERFIL-Hambali era o homem mais procurado do Sudeste Asiático
18h29 - 14/08/2003
Por Joanne Collins
JACARTA (Reuters) - Ele se fazia passar por vendedor de espetinhos de carne e de remédios populares, mas o pregador muçulmano indonésio Hambali não era nada do que parecia.
Na qualidade de suposto chefe de operações do grupo militante Jemaah Islamiah, Hambali era o homem mais procurado do Sudeste Asiático, suspeito de tramar o sangrento atentado de Bali em 2002, entre vários outros.
Com cerca de 40 anos, ele também era supostamente a principal ligação entre a Jemaah e a rede Al Qaeda, e o único representante do Sudeste Asiático a conseguir um assento no comitê militar do grupo de Osama bin Laden, segundo os serviços de inteligência da região.
Analistas dizem que sua prisão, anunciada na quinta-feira pelos Estados Unidos, representa um duro golpe para a Jemaah e abala os fundamentos de outros grupos violentos da região.
Nascido Riduan Isamuddin, segundo dos 11 filhos de uma família de agricultores do oeste da ilha de Java, ele é descrito por seus conhecidos como alguém quieto, mas convincente.
Além da série de atentados contra os bares de Bali, que matou 202 pessoas, a maioria estrangeiros, ele é apontado também como responsável pelo complô para atacar as embaixadas dos Estados Unidos e de outros países ocidentais em Cingapura, em dezembro de 2001.
Algumas autoridades o acusam também de envolvimento com a explosão de um carro-bomba na semana passada no saguão do hotel JW Marriott em Jacarta, que matou 12 pessoas. Na quinta-feira, porém, a polícia indonésia disse que ainda é cedo para chegar a essa conclusão.
"Não acho que no momento exista outro indivíduo que tenha a autoridade moral, a posição de liderança, o carisma que Hambali tem", disse Zachary Abuza, especialista em contra-terrorismo no Simmons College, dos EUA. "Ele é claramente a principal figura individual aqui [no Sudeste Asiático]."
Baixo e atarracado, Hambali conseguiu escapar durante anos das autoridades, escondendo-se entre Indonésia, Paquistão, Afeganistão, Tailândia e Malásia, país no qual se radicou em meados da década de 1980, com sua esposa, de origem chinesa.
No final daquela década, ele entrou para a Al Qaeda, organização na qual supostamente é o único líder que não é árabe.
Abuza disse que as primeiras informações dos EUA a seu respeito datam de 1995, mas só em janeiro deste ano ele entrou na lista norte-americana de supostos financiadores do terrorismo.
Acredita-se que ele estava presente na reunião da Al Qaeda na Malásia na qual foi tramado o atentado contra o navio USS Cole, ocorrido no Iêmen, e os ataques de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.
O suposto chefe cingapuriano da Jemaah Islamiah, Selamat Kastari, disse em junho a um tribunal indonésio que Hambali certa vez disse que os Estados Unidos são culpados por destruir os muçulmanos, e por isso merecem vingança.