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Astrônomos e curiosos voltam os olhos para Marte
10h13 - 27/08/2003


Reuters
Garota observa Marte em telescópio

Por Michael Perry

SYDNEY (Reuters) - Na última vez em que Marte chegou tão perto da Terra, nossos ancestrais viviam em cavernas e tentavam transformar pedras em ferramentas básicas.

Sessenta mil anos depois, pessoas de todo o mundo usam uma parafernália óptica e digital para observar a passagem do planeta vermelho.

Das ilhas da Polinésia até o sertão australiano e o Japão, astrônomos amadores e profissionais voltaram seus telescópios para o leste a fim de ver Marte em detalhes. Às 6h51 (hora de Brasília), o planeta passou a apenas 55,76 milhões de quilômetros da Terra, o ponto mais próximo desde a Idade da Pedra.

"Marte será o objeto mais visível no céu depois da Lua, e por sua cor avermelhada é fácil de ser visto", disse Nick Lomb, curador de astronomia do Observatório de Sydney, na Austrália.

"Telescópios, mesmo pequenos, vão permitir ver detalhes de Marte, incluindo a calota polar e outros traços da superfície."

No dia 12 de setembro do ano 57617 a.C., Marte passou ainda mais perto, a 55,72 milhões de quilômetros. Quem perder esta chance terá de esperar 284 anos por uma outra aproximação tão grande.

A Sociedade Planetária dos Estados Unidos declarou o 27 de agosto como "Dia de Marte". Sua página na Internet (http://planetary.org/marswatch2003) apresenta detalhes sobre eventos em todo o mundo -- desde sessões monitoradas dos observatórios de Sydney e Pequim até festas ao ar livre em lugares como a Jordânia.

O Hemisfério Sul é um ponto privilegiado para a observação de Marte, especialmente nas ilhas isoladas do Pacífico, como o Taiti, que são o ponto terráqueo mais perto de Marte, ou então o sertão australiano, onde a ausência de luz urbana faz com que o planeta se destaque ainda mais.

Para quem olhar o céu a olho nu na quarta-feira, Marte terá o tamanho aproximado de uma cratera lunar.

O Observatório Siding Springs, cerca de 400 quilômetros a noroeste de Sydney, pretende projetar imagens do planeta vermelho em um telão do centro comunitário local, onde também haverá monitores com binóculos orientando o público.

No Brasil, em comemoração à ocorrência do fenômeno, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro, vai abrir suas portas à noite. A população poderá utilizar de lunetas que datam do início do século 19 até telescópios modernos, que aumentarão a visibilidade de Marte em 200 a 500 vezes.

TÃO PERTO, TÃO LONGE

Mesmo chegando tão perto e sendo tão importante para o imaginário terrestre, o planeta vermelho continua sendo um objetivo praticamente inalcançável para o ser humano.

Marte era o deus da guerra na mitologia romana. O planeta batizado em sua homenagem foi cenário de incontáveis clássicos da ficção-científica, como "Crônicas Marcianas", de Ray Bradbury, ou "A Guerra dos Mundos", de H.G. Wells -- texto usado por Orson Welles para narrar na rádio norte-americana uma invasão marciana na Terra, o que criou uma onda de pânico na época.

Videntes e astrólogos dizem que a aproximação dos planetas na quarta-feira não é um bom prenúncio. Eles apontam os atuais conflitos no Oriente Médio e a onda de atentados como sinal disso, e prevêem mais desastres, tanto naturais quanto causados pelo homem.

"A violência vai aumentar, já que as pessoas estarão menos pacientes e se irritarão facilmente", previu Vineet Jain, um influente astrólogo da Índia. Segundo ele, essa irritação vai se refletir na Caxemira e no Oriente Médio, além de induzir a atentados e crimes cibernéticos.

Para os cientistas, o maior interesse é provar se a vida existe, ou pelo menos existiu, em Marte, como tantas vezes supôs a literatura. Sondas da Nasa enviaram de lá imagens sugerindo que já houve água corrente sobre ou logo abaixo da superfície marciana, o que cumpre um dos pré-requisitos para a existência de vida.

Na segunda-feira, a Nasa selecionou a sonda Phoenix, relativamente barata, para a primeira das chamadas Missões Scout ao planeta. A Phoenix deve pousar em Marte no final de 2008.



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