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Nomes de marcas criam nova língua mundial, diz estudo
15h09 - 05/09/2003


Por Catherine Bremer

PARIS (Reuters) - Os nomes de marcas estão se tornando tão abundantes que, na França, já responderiam por dois quintos das palavras que uma pessoa conhece, segundo um estudo realizado pela empresa francesa Nomen.

Apesar de esse ser um fato assustador, o diretor executivo da Nomen, Marcel Botton, enxerga algo de positivo no fenômeno. Segundo Botton, a disseminação dessas palavras estava criando uma nova língua internacional que ajudaria as pessoas a se comunicar em países estrangeiros.

"A distinção entre as marcas e as palavras comuns está se tornando cada vez mais nebulosa", afirmou à Reuters.

"Essa é uma notícia ruim para as empresas que investiram muito dinheiro no desenvolvimento de uma marca. Mas vejo vantagens para o público em geral. Os nomes de marcas são mais internacionais que as palavras comuns e estão criando um novo Esperanto."

O Esperanto, uma língua artificial inventada em 1887 para ser a segunda língua de todo ser humano, nunca funcionou.

A aprendizagem de nomes de marca, por outro lado, é algo inconsciente, já que essas palavras nos são comunicadas por meio da propaganda e do comércio.

Os que falam inglês usam marcas como Frisbee, Hoover e Walkman como se fossem substantivos comuns. Os franceses falam Kleenex para designar o lenço de papel. No Brasil, um exemplo é a marca Bombril, usada para se referir às esponjas de aço em geral.

"Podemos ouvir pessoas no exterior pedindo comida ou bebida por meio do nome de marcas quando não conhecem a palavra na língua estrangeira. Para a Coca-Cola, é algo irritante ver outros produtos receberem seu nome. Mas isso torna a vida das pessoas mais fácil", disse Botton.

Para a pesquisa, a equipe de Botton pegou trechos de um dicionário de francês com 100 mil palavras e pedaços de uma lista com 20 mil marcas. Esses trechos eram lidos para diferentes pessoas de um grupo de teste para saber se reconheciam as palavras.

O estudo ainda não terminou, mas os resultados preliminares sugerem que um francês médio conhece cerca de 3.000 palavras e 2.000 nomes de marcas.



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