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Espanha promete seguir todas as pistas para achar culpados
15h18 - 12/03/2004


Por Andrew Cawthorne

MADRI (Reuters) - A Espanha jurou na sexta-feira que vai seguir todas as pistas para descobrir quem colocou as bombas nos trens de Madri. O mundo aguardava indícios que mostrassem se militantes bascos ou muçulmanos estavam por trás do pior ataque de guerrilha a uma cidade européia.

A apenas dois dias da eleição, o primeiro-ministro José María Aznar defendeu sua acusação inicial de que o grupo separatista basco ETA era o responsável pelas explosões que mataram quase 200 pessoas e feriram cerca de 1.500 na quinta-feira. Na sexta-feira, no entanto, o grupo separatista basco negou a responsabilidade pelos ataques, segundo um comunicado do grupo divulgado pela tevê estatal do País Basco.

O medo de que grupos islâmicos ligados à Al Qaeda fossem os reais mentores dos ataques pôs as forças de segurança da Europa e do mundo em alerta.

"Nenhuma linha de investigação vai ser descartada", disse Aznar, pouco antes da homenagem silenciosa feita em todo país para lembrar as vítimas.

O governo espanhol vem acusando o ETA desde o princípio. Se os bascos realmente forem culpados, o governista Partido Popular pode ser beneficiado nas eleições gerais de domingo, por causa de sua dura política de repressão aos separatistas, acreditam analistas.

Mas, se a atrocidade foi obra de militantes islâmicos, ela poderia ser vista como o preço que o país teve de pagar pelo apoio de Aznar à guerra contra o Iraque, que enfrentou forte oposição espanhola.

"O que essa organização terrorista (o ETA) queria quando tentou entrar em Madri na semana passada com 500 quilos de explosivos? ... É uma linha de investigação que qualquer governo espanhol que não tenha ficado maluco tem de seguir. É a que estamos seguindo e, se há outras hipóteses, vamos segui-las também", disse Aznar.

Vítimas de três continentes

Entre os mortos nos atentados a bomba em Madri havia 14 estrangeiros: três peruanos, dois hondurenhos, dois poloneses, um chileno, um cubano, um equatoriano, um francês, um marroquino, um colombiano e uma pessoa de Guiné-Bissau, disse Aznar.

Um bebê de seis meses estava entre os mortos daquilo que os jornais espanhóis chamaram de "o nosso 11 de setembro".

Falsas ameaças de bomba deixaram os nervos à flor da pele na Espanha na sexta-feira, e na Europa toda os países reforçaram a segurança.

Os Estados Unidos disseram que uma carta que reivindica a autoria dos ataques para um grupo ligado à Al Qaeda pode estar anunciando uma outra ação contra a América.

"Conseguimos nos infiltrar no coração da Europa e atingimos uma das bases da aliança cruzada," diz a carta. Não foi possível provar a autenticidade da carta.

Toda a Espanha parou ao meio-dia para um momento de silêncio em homenagem às vítimas. Os carros pararam nas ruas principais, rádios e TVs silenciaram. Bandeiras e fitas foram penduradas nas casas.

Uma enorme manifestação popular antiterrorismo reúne milhões de espanhóis à noite (horário local) pelas ruas do país.

Também havia manifestações de solidariedade programadas para países como Venezuela, México, Peru e Argentina.

"Inferno"

O ministro do Interior, Angel Acebes, disse na noite de quinta-feira que a polícia havia encontrado uma van com sete detonadores e uma fita em árabe, numa cidade próxima a Madri onde as bombas podem ter sido colocadas nos trens. A descoberta alimenta as suspeitas de que a Al Qaeda provocou o ataque.

"Se o inferno que consumiu toda Madri na quinta-feira for resultado do fanatismo islâmico, precisamos atentar para o papel da Espanha na guerra do Iraque: um envolvimento rejeitado por nossos cidadãos", disse o colunista de jornal Antonio Gala.

Aznar disse que não permitirá que "nenhuma minoria fanática" impeça as eleições gerais de domingo, e afirmou que as investigações sobre os ataques devem trazer revelações logo.

"Nada vai me deixar mais satisfeito que dizer 'estes são os assassinos' e entregá-los à Justiça", afirmou.

Se o ETA for responsável pelas dez explosões simultâneas de quinta-feira, esse seria de longe o ataque mais sangrento do grupo, que desde 1968 matou cerca de 850 pessoas em atentados, em sua luta por um Estado independente entre a Espanha e a França.

O atentado de quinta teve o maior número de mortos desde a explosão de uma bomba a bordo do Boeing 747 da Pan American, sobre a cidade escocesa de Lockerbie, quando morreram 270 pessoas.

(Reportagem adicional de Marta Calleja, Adrian Croft, Elisabeth O'Leary, Daniel Trotta, Emma Ross-Thomas e Andrew Cawthorne)



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