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Milhões vão às ruas na Espanha protestar contra atentados
17h22 - 12/03/2004


Por Estelle Shirbon e Emma Ross-Thomas

MADRI (Reuters) - Aos gritos de "covardes" e "assassinos", milhões de manifestantes enfrentaram a chuva nas ruas da Espanha, na sexta-feira, para condenar o pior atentado na história do país, que matou pelo menos 199 pessoas.

A família real e o primeiro-ministro José María Aznar lideraram a passeata em Madri, junto com o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, e do comissário (presidente) da União Européia, Romano Prodi.

"Basta de assassinatos", diziam cartazes na multidão, que transformou a principal avenida de Madri em um mar de guarda-chuvas que ocupava mais de três quilômetros. A cidade praticamente parou.

"Estávamos todos naquele trem", afirmava outro cartaz, em referência às dez bombas que destruíram quatro trens de subúrbio em três estações na quinta-feira, ferindo 1.450 pessoas.

"Estou aqui para homenagear os mortos e protestar contra o terrorismo", disse Alfredo Bonilla, 56 anos. "Não sei quem fez isso, mas não importa. Seja quem for, são criminosos!"

Um porta-voz policial disse que os agentes que sobrevoam a manifestação de helicóptero estimaram a presença de "mais de 2 milhões" de pessoas em Madri. Houve protestos também em quase todas as cidades espanholas.

As autoridades inicialmente atribuíram os atentados à organização separatista basca ETA, apesar de o grupo negar repetidamente sua participação. Agora, o governo diz que os bascos continuam sendo os principais suspeitos, mas que não se descarta a ação de militantes islâmicos, com a rede Al Qaeda.

Laços Negros

Muitos manifestantes se enrolaram em bandeiras espanholas ou usavam crucifixos negros. Postes normalmente ocupados por publicidade foram cobertos por laços pretos. Entre os manifestantes havia jovens e idosos. Muita gente trazia velas e tocava tambores.

"O povo espanhol não vai desistir", afirmou a madrilenha Isabel Prado, 35. "Esta é a única forma de as pessoas canalizarem sua raiva e ódio. É muito sofrimento", acrescentou o venezuelano Roberto Veitia, 38.



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