Dependência econômica impede tensão maior entre EUA e China, dizem especialistas
Carlos Iavelberg
Do UOL Notícias
Em São Paulo
A tese elaborada há mais de cinco anos pelo economista norte-americano Fred Bergsten de que o G2, um bloco formado por Estados Unidos e China, será o principal ator internacional neste início de século 21 tem recebido cada vez mais apoio de analistas. Essa convicção, porém, se viu abalada depois que os dois países se envolveram em quatro polêmicas em um intervalo de menos de dois meses (veja infográfico). Mas até que ponto essas polêmicas podem realmente prejudicar as relações entre os dois países?
Segundo Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unesp e autora do livro "A política externa dos EUA" , a China elevou nos últimos dias o tom contra os Estados Unidos porque considera que os norte-americanos estão interferindo em assuntos domésticos chineses: Taiwan (no caso da venda de armas) e Tibete (já que o presidente norte-americano, Barack Obama, confirmou que receberá o dalai-lama).
Sobre Taiwan, a professora acredita que a decisão dos Estados Unidos faz parte de uma concepção que os norte-americanos têm de “incomodar” a China, o único país atualmente capaz de atrapalhar sua hegemonia no mundo. Já no caso do Tibete, o motivo seria ideológico. “É uma tradição da política externa dos Estados Unidos levarem a democracia pelo mundo”, afirma Pecequilo.
-
EUA tocam em temas sensíveis à China, diz colunista do UOL Notícias em Paris
Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias acreditam que pouca coisa deve mudar na relação entre os dois países e os motivos para isso são dois: o primeiro, é que esse tipo de polêmica faz parte do jogo político internacional. O segundo, e principalmente, é o fato de existir uma forte dependência econômica entres os dois países.
“Eles [China e Estados Unidos] reclamam um do outro, mas isso não muda as relações entre os dois. Faz parte do jogo político. Mas, obviamente, há um desgaste natural”, acredita a professora.
Fator econômico
O principal fator apontado pelos especialistas para justificar que essas polêmicas diplomáticas devem ter poucos resultados na prática é a grande dependência que as economias dos dois países têm uma da outra.
“Existe uma dependência econômica entre os dois países. A China financia a dívida norte-americana e os Estados Unidos compram os produtos chineses”, explica a professora Pecequilo. Atualmente, a China é a maior detentora estrangeira de títulos públicos americanos, enquanto que os Estados Unidos são os maiores compradores de produtos chineses.
Para o historiador econômico Niall Ferguson, essa dependência é tão grande, que ele criou o termo “Chimérica” para explicar que, na verdade, as duas economias são uma só.
Apesar da dependência, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA entre 1999 e 2004, adverte: “Os Estados Unidos não podem engrossar [o discurso] porque a China pode prejudicar a economia norte-americana”.
Guerra Fria?
Em recente reportagem, o jornal espanhol “El País” perguntava se as tensões entre China e Estados Unidos poderiam desencadear uma nova Guerra Fria.
A professora Pecequilo é enfática ao afirmar que não existe esse risco. “A China não tem condições de fazer frente aos Estados Unidos”, afirma. Já Barbosa opina que, por enquanto, não há porque se preocupar com um possível conflito bélico. “Vai continuar existindo essa rivalidade entres os dois países, mas deve ficar restrita às áreas política e econômica, não deve chegar à área militar. Se isso vier a acontecer, será mais para a frente”, acredita.
Últimas de Notícias
Ver mais notíciasEnvelhecimento da América Latina aumentará incidência de osteoporose
O gradativo envelhecimento da população da América Latina causará um "aumento significativo" das fraturas e da incidência...
Partido grego contrário a resgate internacional lidera pesquisa
ATENAS, 24 Mai (Reuters) - O partido de esquerda Syriza, que é contra o resgate internacional à Grécia,...
No ano do Jubileu, monarquia britânica alcança recorde de popularidade
Londres, 24 mai (EFE).- Os índices de popularidade da monarquia britânica atingiram recordes históricos num momento em que o...
Occupy Wall Street processa prefeitura de NY por danos materiais
Argentina retira concessão de ferrovia 3 meses após acidente
Massa se diz satisfeito com treinos desta quinta-feira
MÔNACO, 24 MAI (ANSA) - O piloto brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, se mostrou satisfeito com os resultados dos dois...
Viena, a cidade que não para de reclamar
Por um bom número de anos, Viena vem recebendo nota dez em pesquisas internacionais nas áreas de segurança, limpeza e...
Emissões de CO2 atingem recorde em 2011; China lidera
PARIS,24 Mai (Reuters) - A China foi a principal responsável por um salto nas emissões globais de dióxido de...
Homem detido em NY confessa ter matado criança desaparecida há 33 anos
Estudo mostra que latino-americanos bebem menos álcool que europeus e norte-americanos
GENEBRA, 24 Mai 2012 (AFP) -Nove países latino-americanos consomem menos álcool do que a Europa e a América do Norte,...
Em cinco anos, serviço secreto dos EUA registrou 64 casos de má conduta sexual
Citigroup prevê que Grécia sairá do euro no começo de 2013
NOVA YORK, 24 Mai 2012 (AFP) -O economista-chefe do banco americano Citigroup, Willem Buiter, previu que a Grécia sairá da...
Taxa de desemprego no Brasil cai a 6% em abril--IBGE
Por Rodrigo Viga Gaier
Irmão de ativista chinês cego também foge de prisão domiciliar
Universitários saem às ruas e agitam campanha eleitoral no México
MÉXICO, 24 Mai 2012 (AFP) -Os universitários mexicanos invadiram de surpresa uma campanha eleitoral sem brilho, que parece...


