Obama planeja assinar reforma da saúde nesta terça-feira
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
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Doug Mills/The New York Times
Obama defende reforma da saúde em discurso em Strongsville, Ohio (EUA), em 15 de março
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja assinar já nesta terça-feira (23) a lei de reforma do sistema de saúde norte-americano aprovada na Câmara dos Representantes no último domingo, segundo informou o porta-voz da Casa Branca.
Com 219 votos contra 212, os parlamentares da Câmara confirmaram a legislação aprovada pelo Senado em 24 de dezembro do ano passado. Com isso, esse projeto é encaminhado para o presidente.
A medida promete estender a cobertura médica para até 95% da população norte-americana, ao mesmo tempo em que pretende deixar os planos privados mais baratos e mais competitivos, subsidiar custos para classe baixa e média, além de coibir abusos das companhias como restrições contra clientes com histórico de doenças prévio. Estima-se que o plano envolva US$ 940 bilhões em dez anos.
Depois de aprovar o projeto, a Câmara também passou um pacote de emendas (acordado entre representantes, senadores e a Casa Branca), que agora vai para o Senado em um regime especial de votação.
Esse regime, chamado de “reconciliação”, é aprovado por maioria simples, o que deixaria os democratas com folga, já que o partido do governo controla 59 das 100 cadeiras da Casa.
No entanto, a votação dos senadores, que pode acontecer ainda essa semana, pode ser travada por pedidos de emendas e outros recursos legais aos quais os republicanos já prometeram recorrer.
Republicanos e críticos na indústria da saúde alegam que a proposta de lei é uma intervenção autoritária no setor que ampliará os custos, aumentará o déficit orçamentário e reduzirá as escolhas dos pacientes. Ao menos 11 Estados, incluindo Flórida, Virginia e Alabama, planejam entrar com ações contra o projeto.
“Se o presidente transformar esse projeto em lei, nós entraremos com uma ação para proteger os direitos e os interesses dos cidadãos americanos”, disse o procurador geral da Flórida, o republicano Bill McCollum.
| O que está em jogo na reforma da saúde nos Estados Unidos |
| Os Estados Unidos é o único dos grandes países industrializados que não oferece um sistema de saúde universal. O governo oferece cobertura a idosos e deficientes por meio do Medicare, aos mais pobres, a funcionários de governo e veteranos militares através do Medicaid. |
| Um total de 15,4% da população dos Estados Unidos - ou 46,3 milhões de pessoas - não tinham seguro saúde em 2008, segundo o Census Bureau. Entre eles, 10 milhões são imigrantes ilegais. |
| Cerca de 45.000 pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos por não ter seguro saúde, destaca um estudo recente da Harvard University. |
| Os prêmios de seguro saúde oferecidos pelos empregadores duplicaram desde o ano 2000, e a maioria dos trabalhadores estão gastando mais de seu bolso, ao mesmo tempo em que os serviços cobertos diminuíram. |
| É prática comum que as companhias seguradoras neguem e até revoguem a cobertura em caso de "condições pré-existentes", ou seja, maior predisposição a certas doenças. |
| Enquanto os Estados Unidos destacam-se em questões como combate ao câncer, estão atrás de outros países industrializados nas hospitalizações evitáveis por asma e diabetes, afirmou a comissão do congresso. As disparidades também conduzem a altas taxas de mortalidade infantil e uma menor espectativa de vida. |
| Os principais pontos da proposta de reforma do governo Obama |
| Cobertura de saúde mínima obrigatória, em um sistema no qual o cidadão terá de optar por um plano público ou por plano do mercado, ou será taxado pelo governo. |
| Filhos são considerados dependentes dos planos de saúde dos pais até os 26 anos. |
| Participação mínima das empresas no pagamento do plano de saúde dos empregados. |
| Estabelecimento de um serviço básico mínimo para qualquer plano de saúde no mercado. |
| Punições contra abusos praticados pelas seguradoras, como discriminação de pessoas com mais chances de desenvolver doenças e cobrança excessiva nos planos de saúde para idosos. |
| Criação de novos impostos para pessoas de alta renda como financiamento parcial do sistema. |
| As principais críticas contra a reforma |
| Para os republicanos, essas propostas seriam elementos de uma "reforma socialista", que aumenta a interferência do governo na economia, ao mesmo tempo em que restringe a liberdade das escolhas individuais. |
| Empresas afirmam que a contribuição obrigatória deixaria a mão-de-obra mais cara, aumentando as demissões. |
*Com agências internacionais e NYT
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