Nova estratégia dos EUA limita uso de armas nucleares a "circunstâncias extremas"
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O governo dos EUA promete fazer o uso de armas atômicas só em "circunstâncias extremas" para defender seus interesses vitais ou os de seus aliados, segundo a nova estratégia nuclear americana, divulgada nesta terça-feira (6).
Novo plano nuclear americano mantém foco em Irã e Coreia do Norte
Partes já publicadas da nova estratégia nuclear apresentada pelo governo americano nesta terça-feira informam que o governo vai restringir o uso de armas nucleares para somente em "circunstâncias extremas", mas ao mesmo tempo vai enviar uma mensagem clara a países como Irã e Coreia do Norte, que continuam sendo considerados alvos nucleares em potencial
Dentro da nova estratégia, os Estados Unidos se comprometem a "não utilizar nem ameaçar com armas nucleares" os países que não dispõem desses arsenais e cumpram suas obrigações dentro do Tratado de Não-Proliferação.
O plano é divulgado uma semana antes da cúpula de Washington de 12 e 13 de abril para a qual Obama convidou 40 dirigentes de todo o mundo para discutir segurança e não-proliferação.
Barack Obama defendeu há um ano, no dia 5 de abril de 2009, o advento de um mundo sem armas atômicas, durante um discurso pronunciado em Praga. No entanto, ele admitiu que provavelmente não viveria para ver esse objetivo ser alcançado.
A partir de então, defensores e críticos da desnuclearização se enfrentaram dentro do governo e o anúncio da nova estratégia foi adiado em vários meses.
No início de março, um alto funcionário americano que não quis se identificar afirmou que a nova estratégia visava a "uma redução espetacular dos arsenais (de armas nucleares), mantendo uma dissuasão sólida e confiável".
Ela dará também "um papel crescente às armas convencionais na dissuasão" e renunciará às armas atômicas "anti-bunkers", desejadas pelo governo anterior de George W. Bush, indicou a autoridade.
Segundo o chanceler russo Serguei Lavrov, o novo tratado de desarmamento nuclear entre Rússia e Estados Unidos ilustra um "novo grau de confiança" entre os dois antigos adversários na Guerra Fria.
"O tratado ilustra o novo grau de confiança entre Moscou e Washington", disse Lavrov à imprensa, a dois dias da assinatura do acordo, na quinta-feira em Praga.
No entanto, o chanceler russo advertiu que Moscou se reserva o direito de abandonar o novo tratado de desarmamento caso o escudo antimísseis americano ameace seu potencial nuclear.
O governo americano já afastou a possibilidade de anunciar que os Estados Unidos jamais recorrerão em primeiro lugar à arma nuclear em caso de conflito, de acordo com o jornal The New York Times.
Assinatura de tratado terá segurança de 5.000 policiais
Um total de 5.000 policiais serão mobilizados em Praga, onde na quinta-feira os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Dmitri Medvedev, assinarão um novo tratado START sobre a redução de seus respectivos arsenais nucleares, anunciou o chefe da polícia tcheca, Oldrich Martinu.
O exército participará no dispositivo de segurança com especialistas em proteção química, biológica e nuclear, segundo a agência de notícias CTK.
"Praga, o Castelo de Praga e as residências dos embaixadores americano e russo estarão entre os locais mais seguros do mundo", declarou Martinu.
A assinatura do novo tratado está previsto para as 10 horas (7 horas no horário de Brasília) de quinta-feira no Castelo de Praga, sede oficial da presidência tcheca.
O novo tratado START sucede o START 1, que foi assinado em 1991 e expirou em 5 de dezembro de 2009.
Medvedev chegará a Praga na quarta-feira à noite e retornará no dia seguinte a Moscou, após a entrevista coletiva e almoço programados para após a cerimônia de assinatura.
Obama vai desembarcar em Praga na manhã de quinta-feira e retornará aos Estados Unidos na sexta-feira.
* Com as agências internacionais
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