Menino americano em campanha pela paz entre as Coreias quer apoio de Lula

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Yonhap/AFP

    Jonathan Lee já enviou cartas para os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Hu Jintao

    Jonathan Lee já enviou cartas para os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da China, Hu Jintao

Jonathan Lee --o garoto norte-americano de 13 anos que ficou mundialmente famoso por propor uma lúdica iniciativa pela paz entre as Coreias-- gostaria de pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que apoie sua ideia: a criação de um bosque na zona desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Lee deu entrevista exclusiva ao UOL Notícias depois da viagem que fez com seus pais para entregar uma carta ao líder norte-coreano, Kim Jong-il.

A proposta de Lee, que percorreu manchetes internacionais nas últimas semanas, é de um bosque que servisse como espaço onde as crianças pudessem brincar e interagir entre árvores frutíferas. Lee disse que também gostaria de pedir ao presidente Lula a implantação de um "bosque da paz" no Brasil.

“Eu sou a favor de bosques da paz em todo o mundo, inclusive na floresta tropical brasileira. Além disso, eu também pediria a ele (Lula) para apoiar a criação do bosque na zona desmilitarizada entre as duas Coreias”, disse.

O jovem norte-americano é natural do Mississippi (sul dos EUA), onde vive com a família de origem sul-coreana, mostrou preocupação com as florestas do Brasil. “Eu gostaria de ir para o Brasil para ajudar a proteger as florestas tropicais e a vida selvagem aí”, disse.

Lee partiu rumo a Pyongyang no dia 12 deste mês entregar uma carta ao líder norte-coreano, Kim Jong-Il, pedindo a plantação do bosque da paz na fronteira entre as duas Coreias. Passou oito dias no país, mas não conseguiu encontrar o líder comunista.

Apesar de confirmar que tinha esperança de entregar a carta pessoalmente, Lee disse que ficou satisfeito de saber que seu pedido chegou às mãos do norte-coreano por meio de militares que conheceu na capital do país. “Fiquei um pouco desapontado de não encontrá-lo, mas não chateado. Sei que não é uma tarefa fácil encontrar ele”.

Segundo o menino, a ideia de criar um "bosque da paz" surgiu em uma aula sobre a Coreia do Norte na escola. "Então desde que conheci o ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung decidi que iria fazer algo para a península coreana".

  • Os sul-coreanos normalmente colocam fitas com mensagens para os norte-coreanos no limite da zona desmilitarizada em Paju

“A ideia é que fosse uma área onde árvores seriam plantadas e uma floresta de paz seria estabelecida. Um lugar onde as crianças das duas Coreias pudessem interagir. Seria como um parque infantil”, disse.

Segundo o norte-americano, seu compromisso com preservação do meio ambiente vai além das florestas. “Assim que eu fiquei mais velho, percebi que precisava fazer mais para a Terra do que apenas ajudar o meio ambiente. Eu senti que precisava ajudar as pessoas ajudando a Terra”.

Apesar de não ter encontrado Kim Jong-il, o menino não parece ter desistido da ideia de conhecer o líder comunista: “Eu conheci muitas pessoas que não esperava nos últimos três anos, então eu não ficaria surpreso se conseguisse conhecê-lo. Talvez da próxima vez!”

O garoto já enviou cartas aos presidentes sul-coreano, Lee Myung-Bak, americano, Barack Obama, e chinês, Hu Jintao.

Tensão 

As duas Coreias permanecem em estado de guerra, com as fronteiras ocupadas por milhares de soldados, depois que a guerra entre os dois países foi interrompida por uma trégua, em 1953, sem um acordo de paz. 

Enquanto a democrática Coreia do Sul alcançou posição de destaque mundial, com a 15ª maior economia, a totalitária Coreia do Norte afundou em isolamento na era pós-soviética, com minguadas fontes de ajuda e poucos parceiros comerciais.

Pyongyang argumenta que precisa de bombas nucleares para contar a presença dos Estados Unidos na Coreia do Sul. O regime comunista também usa a ameaça atômica para conseguir ajuda financeira e outras concessões dos poderes regionais, receosos do vizinho imprevisível.

Quinze anos atrás, Washington negociou um acordo para congelar as instalações nucleares em troca de dois reatores de produção de energia elétrica.

O acordo foi rompido em 2002, depois que os Estados Unidos anunciaram que Pyongyang teria admitido um programa secreto de enriquecimento de urânio. A Coreia do Norte negou a acusação, e se retirou do Tratado de Não Proliferação Nuclear, desencadeando uma crise que levou à criação de uma mesa internacional de negociação, batizado de Grupo dos Seis: EUA, Rússia, China, Japão e as duas Coreias.

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