Após prisão do fundador do WikiLeaks, sites da Promotoria da Suécia e do advogado de acusação sofrem ataques
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Vazamento de documentos sigilosos da diplomacia dos EUA pelo WikiLeaks
A Promotoria da Suécia disse nesta quarta-feira (8) que apresentou denúncia à polícia depois de sofrer um ataque virtual organizado contra sua página na internet nas últimas horas. O ataque manteve a página fora de serviço entre a noite de ontem e a manhã de hoje. O Centro de Investigação de Incidentes Informáticos (Sitic, na sigla em sueco) confirmou que se tratou de uma ação organizada desde vários países. Acredita-se que este ataque seja parte de uma iniciativa coordenada em defesa do WikiLeaks. A página na internet de Claes Borgstrom, advogado de defesa das duas jovens suecas que acusam o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, de crimes sexuais também sofreu ataques hoje.
Hackers tentaram invadir o site da administradora de cartões de crédito MasterCard em uma aparente retaliação à recusa em receber doações ao WikiLeaks, segundo a BBC. A MasterCard não comentou o caso.
Ativistas da web que se autodenominam "Anônimos" ameaçaram nesta semana lançar uma série de ataques contra serviços na internet que bloquearam o WikiLeaks, como a empresa de pagamento on-line Paypal.
Austrália oferece ajuda a Assange
O governo australiano ofereceu nesta quarta-feira proteção consular ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que está preso em Londres e que acusou o Executivo de seu país de conivência com os Estados Unidos para "matar o mensageiro".
A Embaixada da Austrália no Reino Unido contatou Assange para checar se ele tem representação legal e pode receber visitas como qualquer outra pessoa na mesma situação, anunciou o ministro de Relações Exteriores, Kevin Rudd.
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Rudd ressaltou que qualquer cidadão tem direito à presunção de inocência, horas depois que o homem mais procurado do mundo até esta terça-feira assinou um editorial no qual denunciou que seu país está colaborando com os EUA para "matar o mensageiro" e ocultar a verdade.
O chefe da diplomacia australiana atribuiu a culpa do fluxo de informações publicadas pelo WikiLeaks às pessoas que vazaram as mensagens e ao Governo americano, por não proteger de forma adequada seus documentos confidenciais.
"A conclusão aqui é que o núcleo de tudo isto está no fracasso do Governo dos Estados Unidos em proteger com eficácia suas próprias mensagens diplomáticas", disse Rudd à rádio Melbourne.
"As sociedades democráticas precisam de meios de comunicação fortes e o WikiLeaks é parte disso. A mídia ajuda os Governos para que sejam honestos, e revelamos verdades sobre as guerras no Afeganistão e Iraque e a corrupção empresarial", declarou ao jornal "The Australian", que pertence ao grupo News Corporation, do magnata Rupert Murdoch.
Assange lembrou que o pai de Murdoch foi o primeiro que contou ao mundo o horror da Batalha de Gallipoli durante a Primeira Guerra Mundial. "Quase um século depois, o WikiLeaks está divulgando sem medo informação que deve ser conhecida pelo público", declarou o australiano de 39 anos.
Um dos líderes mundiais para os quais as revelações do site foram mais comprometedoras é o próprio Rudd, tachado por diplomatas americanos de "obsessivo" e "incompetente" quando foi primeiro-ministro, entre 2007 e 2010.
"Francamente, não me importa", comentou o agora ministro das Relações Exteriores após ser perguntado reiteradamente a respeito do WikiLeaks durante uma entrevista coletiva em Brisbane.
Rudd não deixou claro se Assange será processado ou não pela Justiça australiana quando retornar ao país, onde a Polícia investiga suas atividades por ordem do procurador-geral, Robert McClelland.
O ex-primeiro-ministro conservador John Howard opinou que Assange não deve ser processado porque "todo jornalista publica informação confidencial quando a obtém".
"O importante é se o material e sua divulgação podem pôr em risco a vida das pessoas e a segurança nacional dos países (...) A culpa é daqueles que enviaram as mensagens, eles é que devem ser perseguidos", declarou Howard, cujo mandato foi marcado por uma forte aliança com os EUA.
Nesta semana, o WikiLeaks também divulgou que Rudd advertiu aos Estados Unidos que deviam estar preparados para utilizar a força com a China, além de ter dito à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que os líderes chineses eram "paranoicos" a respeito de temas como Taiwan e o Tibete.
Acusação sem motivação política
As acusações de crimes sexuais de duas mulheres suecas contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não têm qualquer motivação política, disse o advogado das supostas vítimas em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (8). "Isso nada tem a ver com o WikiLeaks ou a CIA (a agência de inteligência dos EUA)", disse Borgstrom.
Borgstrom disse que as versões dadas pelas duas mulheres são confiáveis e que há uma boa chance que Suécia pressione para acusar Assange.
Assange, 39, é procurado na Suécia para ser ouvido em suposto caso de estupro. Na segunda-feira, a Polícia Metropolitana de Londres recebeu um mandado de prisão contra ele e ontem efetuou a prisão, quando Assange se apresentou voluntariamente a uma delegacia. Com fiança negada, Assange deverá permanecer sob custódia até dia 14, quando se prevê nova audiência judicial.
Ontem, uma promotora da Suécia negou que as acusações que levaram à detenção do australiano Julian Assange em Londres nesta terça-feira (7) estejam relacionadas com seu trabalho no site WikiLeaks. “Não há nenhum indício de que seja um complô”, afirmou a promotora Marianne Ny, durante uma conferência com a imprensa em Gotemburgo, segundo o jornal local “Aftonbladet”.
A promotora Gemma Lindfield, que representa as autoridades suecas em Londres para este caso, afirmou que o caso contém alegações de quatro crimes sexuais que teriam sido cometidos por Assange contra duas mulheres em agosto.
Assange é acusado de “coerção com uso de força” contra uma mulher identificada como “senhorita A” na noite de 14 de agosto. Ele é acusado de segurá-la de modo sexual.
A segunda acusação é que Assange teria “molestado-a sexualmente” ao ignorar seu pedido para usar um preservativo. Em terceiro lugar, o australiano teria “deliberadamente molestado” a senhorita A ao pressionar seu corpo contra o dela.
A quarta acusação diz respeito à “senhorita W”, com quem Assange teria mantido relação sexual, sem preservativo, enquanto ela dormia.
O australiano, cujo site recentemente causou constrangimento aos EUA por divulgar mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos, nega as acusações de crime sexual e vê perseguição judicial.
O advogado de Assange, Mark Stephens, disse que "é hora" de se chegar "à verdade", e que seu cliente quer "limpar seu nome".
* Com as agências internacionais
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