Crise no Mundo Árabe: protestos no Iêmen, Bahrein e Líbia têm confrontos e deixam mortos
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
Centenas de manifestantes no Iêmen, Líbia e Bahrein voltaram a protestar, nesta quarta-feira (16), contra o governo de seus países. Os protestos vêm se intensificando desde a semana passada, quando os egípcios, depois de 18 dias nas ruas, conseguiram a renúncia do presidente Hosni Mubarak. Esse parece ser o objetivo final dos atuais protestos.
"O mundo está mudando. Se você está governando esses países, precisa adiantar-se às transformações. Não pode ficar atrás da curva", declarou o presidente americano Barack Obama, ao comentar a queda do presidente egípcio, mostrando-se atento às possíveis mudanças na região.
Nas manifestações de hoje no Iêmen, dois jovens morreram depois de terem sido atingidos por tiros em Aden, principal cidade do sul do país. Outras duas ficaram feridas, durante enfrentamentos entre as forças segurança e centenas de opositores do governo do presidente Ali Abdallah Saleh, no poder há 32 anos.
Na capital Sanaa, pelo menos quatro manifestantes ficaram feridos nos confrontos entre estudantes que protestavam contra o governo e simpatizantes do regime. Em outra mobilização na capital, centenas de juízes pediam a "independência do Poder Judiciário e a renúncia de todos os membros do Conselho Superior Judicial, incluindo o ministro da Justiça". Em Taez, ao sul de Sanaa, milhares de pessoas também pediram mudança de regime e oito pessoas foram feridas na dispersão.
Além de enfrentar a atividade da Al Qaeda, o Iêmen combate também rebeliões no norte e no sul do país, e está à beira de se tornar um "Estado falido". Diante dos recentes protestos, Saleh prometeu deixar o poder em 2013 e propôs diálogo com a oposição, mas os jovens querem adiantar esse processo.
Protestos no Irã e no Iraque
| No Irã, a oposição reformista conseguiu organizar na segunda-feira a primeira manifestação contra o governo em um ano em Teerã, apesar das advertências das autoridades, que proibiram qualquer protesto e mobilizaram amplamente as forças de segurança. Hoje, apoiadores e opositores realizaram manifestações durante o funeral de um jovem morto durante protestos. Nesta quarta-feira, o Iraque viveu o dia mais violento desde o início dos protestos há duas semanas, com a morte de um manifestante em Bagdá. Alguns prédios foram incendiados |
No Bahrein, apesar da proibição, centenas de pessoas protestaram em localidades xiitas e confrontos também foram registrados. As forças de segurança foram mobilizadas nos principais acessos à capital, Manama, para impedir uma passeata convocada por internautas. Um homem foi ferido em Nuidrat, segundo o governo. Mesmo assim, manifestações ocorreram no funeral de um manifestante morto na véspera pelas forças de segurança, e centenas de pessoas acamparam em uma praça do centro da capital para reclamar reformas e a demissão do primeiro-ministro.
Bahrein é um aliado dos Estados Unidos e abriga um quartel-general da Marinha americana. Em Washington, o Departamento de Estado disse que estava "muito preocupado" com a violência. O emirado é também tem um histórico de protestos motivados pelas dificuldades econômicas, a ausência de liberdades políticas e a discriminação sectária dos governantes sunitas contra a maioria xiita.
Na Argélia, mais de mil estudantes realizaram um protesto pacífico em frente ao Ministério da Educação Superior em Argel, contra um decreto presidencial que altera titulações e revisa o regime de remuneração dos professores e pede a volta ao sistema clássico de estudos.
"Escolas superiores, diplomas inferiores", "SOS, engenheiros em perigo" e "Não aceitaremos ser pisoteados", eram algumas das frases dos cartazes segurados por manifestantes, que também entregaram um documento com suas reivindicações aos responsáveis do ministério.
O sindicato argelino de ensino médio e técnico Cnapest convocou para o dia 2 de março uma greve em todo o país para reivindicar aumento dos salários e melhores condições de trabalho para os professores
Na Líbia, a madrugada também foi marcada por protestos contra o ditador Muammar Gaddafi. Segundo a imprensa local, ao menos 38 pessoas ficaram feridas em choques com forças de segurança. A agência de notícias oficial da Líbia não noticiou os protestos antigovern e informou apenas sobre as manifestações favoráveis a Gaddafi na capital, Trípoli, em Benghazi e outras cidades.
Para esta quinta-feira (17), os jovens convocaram, pela internet, uma jornada de protestos chamada de “o dia da revolta”. Sob o lema "Revolta de 17 de fevereiro de 2011: para fazer um dia da revolta na Líbia", a página do Facebook do grupo de opositores passou de 4.400 membros na segunda-feira a 9.600 nesta quarta-feira.
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*Com informações de agências internacionais
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