Militares ocupam a segunda maior cidade da Líbia para evitar novos protestos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O Exército foi mobilizado nesta sexta-feira (18) nas ruas de Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, localizada a cerca de mil quilômetros da capital Trípoli, para assumir o controle da região e evitar novos protestos. Durante a madrugada, milhares de pessoas protestaram contra a morte de manifestantes pelas forças de segurança.

Segundo uma fonte oficial declarou à agência de notícias Reuters, em Benghazi os confrontos durante a noite ocorreram na região da ponte Giuliana. "Tudo agora está sob controle. As forças de segurança estão em toda a cidade, e Benghazi está controlada por Saadi", disse a fonte, em referência a Saadi Gaddafi, filho do ditador líbio Muammar Gaddafi, no poder desde 1969.

Um morador de Benghazi disse que Saadi declarou na rádio local que iria à cidade assumir o cargo de prefeito e proteger a população. Ainda de acordo com o morador, a cidade estava calma na manhã desta sexta-feira, sem manifestações.

ONG aponta 24 mortes durante protestos

Segundo a entidade norte-americana Human Rights Watch (HRW), pelo menos 24 pessoas foram mortas na repressão de quarta e quinta-feira a protestos contra o regime de Gaddafi.

"As autoridades deveriam parar de utilizar a força, a menos que seja absolutamente necessário, para proteger vidas, e abrir uma investigação independente sobre as mortes", indicou a HRW em um comunicado.

"Segundo várias testemunhas, as forças de segurança líbias dispararam e mataram manifestantes para dispersar as passeatas de protesto", acrescenta a nota da ONG. As autoridades não se manifestaram oficialmente sobre o número de mortos durante os protestos.

Já de acordo com informações de fontes médicas locais à AFP, 14 pessoas morreram nos confrontos de ontem entre as forças de segurança e manifestantes contrários ao governo. 

"Os ataques brutais das forças de segurança contra os manifestantes pacíficos escancaram a realidade da violência de Muamar Kadhafi diante de conflitos internos", indicou Sarah Leah Whitson, diretora da HRW para o Oriente Médio e o Norte da África.

Os mortos durante o “dia de fúria”, protestos realizados ontem pela oposição, devem ser enterrados na sexta-feira em Benghazi e Bayda.

Os manifestantes reivindicam liberdades políticas, respeito aos direitos humanos e o fim da corrupção. Gaddafi costuma dizer que os líbios vivem numa verdadeira democracia.

Protestos como esse são raros na Líbia, e o rígido controle sobre a imprensa e as telecomunicações dificulta avaliar a extensão do movimento e da repressão.

Para analistas, o regime líbio tem possibilidade de usar os dividendos do petróleo para aplacar descontentamentos sociais e reduzir as chances de que o país tenha uma revolução como a egípcia.

Fuga em massa de presos

Uma fuga em massa de presos foi registrada na manhã desta sexta-feira em uma penitenciária de Benghazi, a 1.000 km de Trípoli, após uma rebelião, disse um jornalista local à agência de notícias France Presse.

"Houve uma rebelião na prisão de Al Kuifiya, e um grande número de prisioneiros fugiu", explicou o chefe da redação do jornal "Quryna", Ramadhan Briki.

Segundo Briki, os detentos incendiaram o escritório do promotor geral, um banco e uma delegacia da cidade.

O jornal "Quryna" é ligado a Seif Al Islam, filho do ditador Muammar Gaddafi.

*Com agências internacionais

 

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