Governo da Líbia pede reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU após ataques

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O governo da Líbia solicitou neste sábado (19) uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas após o ataque das forças ocidentais contra o regime do ditador Muammar Gaddafi. A informação é  do Ministério das Relações Exteriores em comunicado divulgado pela agência oficial "Jana".

"A Líbia, como um Estado independente e membro das Nações Unidas, solicitou a realização de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU após a agressão da França, Grã-Bretanha e Estados Unidos", relatou o ministério.

A solicitação acontece pouco após manifestação da comissão designada pela União Africana (UA) para propor uma solução à crise na Líbia, grupo que rechaçou "qualquer intervenção militar estrangeira" no país. O presidente da Mauritânia, Mohammed Ould Abdelaziz, anunciou a posição no começo do encontro de hoje em Nouakchott entre os cinco chefes de Estado africanos (Mauritânia, Mali, África do Sul, Uganda e República Democrática do Congo) que integram a comissão.

De acordo com Abdelaziz, essa posição foi confirmada pelo comunicado da última reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA em Adis Abeba. Ele ressaltou ainda que qualquer solução à crise "deve ser conformada com o compromisso com o respeito da unidade e a integridade territorial da Líbia".

Coalizão

Os países da coalizão formada por Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e Itália iniciaram os ataques às forças ao ditador líbio um dia depois do aval da ONU para uma intervenção militar no país africano a fim de combater a onda de violência do ditador contra os rebeldes.

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O primeiro-ministro britânico David Cameron confirmou, em um comunicado, que forças do Reino Unido já estão em ação na Líbia. “Foi necessário, legal e justo”, disse o premiê.

Segundo as redes americanas “CNN” e “Fox News”, um navio de guerra dos Estados Unidos, alocado no mar Mediterrâneo, lançou mísseis de cruzeiro contra alvos da Líbia. Ainda não há informações de feridos ou dos alvos atingidos.

Juntos, navios de guerra e submarinos dos Estados Unidos e Reino Unido já teriam lançado 112 mísseis de cruzeiro contra os sistemas antimísseis líbios e alcançado cerca de 20 alvos, segundo informou o Pentágono. Nessa primeira fase da intervenção, o almirante americano Bill Gortney informou que as operações dos EUA se concentraram na parte ocidental da Líbia.

Ataque francês

O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, advertiu que a ação militar contra o regime de Gaddafi vai continuar "pelos próximos dias". "As operações vão continuar nos próximos dias até que o regime líbio aceite" todas as exigências do texto adotado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, assinalou Juppé em entrevista à rede de televisão "France 2".

Conforme o chanceler francês, o objetivo da operação militar lançada contra a Líbia é "ajudar o povo líbio a se libertar" de Gaddafi. A ação dos caças franceses aconteceu poucas horas depois do anúncio oficial do início da intervenção, feito pelo presidente francês Nicolas Sarkozy.

Segundo o Ministério da Defesa francês, cerca de 20 aviões estavam envolvidos na intervenção anunciada hoje pelo presidente francês para cumprir a resolução do Conselho de Segurança da ONU, que autoriza o recurso à força militar contra o regime de Gaddafi. A operação francesa começou por volta das 11h (7h de Brasília) com a decolagem de quatro caças Rafale da base francesa de Saint Diziers. Às 15h (11h) se somaram outros aviões de combate Mirage com o objetivo de "atacar alvos militares" caso fosse constatado que as forças de Gaddafi atuavam contra a população civil.

“Campo de batalha”

Após o início dos ataques, o ditador líbio, em mensagem de quatro minutos à nação, ameaçou atacar alvos "civis e militares" no Mediterrâneo e transformar não só a região, como o Norte da África, em um “campo de batalha”. Gaddafi afirmou ainda que vai abrir os "depósitos de armas" para permitir ao povo defender a Líbia e qualificou os ataques com aviões e mísseis de "agressão injustificada dos cruzados" contra "o povo líbio, que vai lutar". "Esta é uma agressão imperialista capaz de desencadear uma guerra cruzada generalizada", afirmou.

* Com agências internacionais

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