Para imprensa internacional, morte de sindicalista acontece em momento delicado para o governo Dilma
Do UOL Notícias
Em São Pauo
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Reprodução The Telegraph
O ativista José Cláudio Ribeiro da Silva, destaque no site do jornal britânico "The Telegraph"
O assassinato do líder extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e de sua mulher, Maria do Espírito Santo ganhou destaque no noticiário internacional. Sites e jornais destacaram que o ativista alertou que poderia ser assassinado a qualquer momento por ordem de madeireiros e pecuaristas e que sua morte acontece em um momento delicado no quesito meio-ambiente para o governo da presidente Dilma Rousseff.
Da Silva e a mulher foram mortos em uma emboscada no município de Nova Ipixuna (PA), a cerca de cem quilômetros de Marabá (PA). Os corpos serão enterrados nesta quinta-feira (26).
A BBC destacou que a morte do ambientalista aconteceu "algumas horas antes da Câmara dos Deputados do Brasil aprovar uma lei que afrouxa as leis para o desmatamento". "O novo código [Florestal], que ainda precisa de aprovação do Senado e da presidente Dilma Rousseff, reduz a quantidade de mata que os fazendeiros devem preservar", disse o site britânico.
"Seis meses depois de prever sua própria morte, um líder florestal foi morto na Amazônia", diz a reportagem do jornal britânico "The Guardian". A reportagem revela que o casal não contava com proteção especial, mesmo com as frequentes ameaças, e que em uma palestra em novembro do ano passado, em Manaus, Da Silva comentou "o medo daqueles que tentavam silenciá-lo".
Depoimento de Zé Cláudio no TEDxAmazônia
"Eu posso estar aqui hoje falando com vocês e em um mês vocês receberem a notícias de que eu desapareci. Vou proteger a floresta a qualquer custo. Por isso eu posso receber uma bala na minha cabeça a qualquer momento", disse o ativista.
Roberto Smeraldi, diretor da ONG Amigos da Terra, entrevistado pelo jornal, recebeu a notícia em Brasília, enquanto se preparava para a votação do novo Código Florestal. "Ele tinha certeza de que seria assassinado", disse.
Já o jornalista ambiental Felipe Milanez disse ao Guardian que, com a morte de Da Silva, "agora temos um novo Chico Mendes", em referência ao ativista brasileiro, morto em 1988.
O jornal americano “The New York Times” também comentou em uma breve nota a morte do ativista, destacando a previsão de Da Silva de que ele poderia ser assassinado a qualquer momento.
Já o "The Hunffington Post" disse que a polícia está procurando dois suspeitos de terem cometido o crime e cita que há duas linhas de investigação, "uma, indicando roubo, e outra, uma vingança ou acerto de contas" de algum inimigo de Da Silva. Curiosamente, a polícia brasileira diz não ter pistas sobre quem cometeu o crime.
A reportagem do "Miami Herald" e do "Washington Post" alertam que desde a morte de Chico Mendes, 1.150 ativistas, fazendeiros, juízes, padres e trabalhadores rurais foram mortos, de acordo com a Pastoral da Terra, e relembra a morte da missionária Dorothy Stang , em 2003, no Pará.
"A maioria [dos crimes] ficou impune, especialmente na região da Amazônia, onde a presença do governo é superada pela de madereiros e pecuaristas".
O britânico "The Telegraph" também destacou a situação dos ativistas da terra no país e disse que o crime acontece "em um momento particularmente sensível ao governo brasileiro", em referência à aprovação do Código Florestal, tida como a primeira derrota do governo da presidente Dilma Rousseff.
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