Surto infeccioso mata 14 na Alemanha e deixa Europa em alerta

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

  • Bodo Marks/EFE

    Pepinos cultivados e comercializados em Hamburgo, na Alemanha; surto infeccioso já matou 14

    Pepinos cultivados e comercializados em Hamburgo, na Alemanha; surto infeccioso já matou 14

Um surto da bactéria E. coli, ou Escherichia coli, que causou a morte de 14 pessoas e deixou mais de 300 seriamente doentes na Alemanha, espalhou-se para outros países do norte da Europa, e a previsão é que se agrave nesta semana.

O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com sede na Suécia, disse que o surto de Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), causada pela infecção, é "um dos maiores já registrados no mundo e o maior já registrado na Alemanha".

A síndrome SHU é caracterizada por diarreia acompanhada de sangramento, podendo levar a graves lesões nos rins. Nos casos mais severos, a síndrome provoca convulsões e problemas graves no sistema nervoso.

Até o momento, 1.200 casos confirmados ou suspeitos de infecções pela E. coli foram registrados na Alemanha, e há relatos de centenas de infectados na Suécia, Dinamarca, Holanda e Reino Unido.

"Esperamos que o número de casos diminua, mas tememos que a situação se agrave", disse Oliver Grieve, porta-voz do Centro Médico da Universidade Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, onde estão sendo tratados muitos dos doentes.

Surto de bactéria provoca mortes na Alemanha

A fonte da cepa virulenta da bactéria é desconhecida. O patógeno E. coli foi identificado em pepinos importados da Espanha, mas não está claro se os pepinos foram contaminados ainda na Espanha, durante o transporte ou na Alemanha.

O pânico gerado pelo surto infeccioso já está trazendo prejuízos ao setor. Nesta segunda-feira (30), a Rússia proibiu a importação de alguns tipos de vegetais comestíveis da Alemanha e da Espanha, incluindo pepinos e tomates, atendendo ao pedido do próprio governo alemão para que a população não coma pepinos até que os cientistas consigam identificar a origem da bactéria.

Autoridades na República Tcheca, Áustria e França também recolheram alguns pepinos espanhóis das lojas. A Áustria ainda proibiu a venda de pepinos, tomates e berinjelas importados da Alemanha. Oficiais tchecos disseram também que pepinos contaminados podem ter sido exportados para Hungria e Luxemburgo.

Além disso, tomates, abobrinhas e melões do sul da Espanha não encontram quase compradores na Alemanha, o maior cliente desses produtos. Analistas estimam que os prejuízos vão de 8 milhões a 10 milhões de euros por dia.

O governo da Espanha ameaçou pedir uma indenização para o governo Alemão por acusar o país de ser responsável pelo surto infeccioso, que vem sendo chamado de "crise do pepino".

Contaminação

A bactéria E. coli é uma das mais frequentes nas infecções alimentares, junto com a salmonela, indica o médico do Serviço de Microbiologia do Hospital La Paz de Madri Jesús Mingorance.

  • Manfred Rohde/Helmholtz/Reuters

    Imagem da bactéria E. Coli. Este não é o primeiro surto causado pela bactéria. Em 1996, um surto no Japão afetou cerca de 10 mil pessoas e produziu 11 mortes. Em 1998, a via de transmissão da infeccção foi carne moída para hambúrgueres na América do Norte. Em 2006, espinafres contaminados espalharam a infecção por 26 estados americanos

Na maior parte dos casos, a infecção gastrointestinal causada pela bactéria desencadeou a SHU nas pessoas contaminadas, o que surpreendeu os pesquisadores. Normalmente, a doença afeta crianças com menos de cinco anos de idade, mas no caso alemão, 90% dos pacientes são adultos e dois terços são mulheres.

A E. coli se propaga principalmente pela comida, pela água contaminada ou pelo contado com animais doentes. Os sintomas típicos da infecção pela bactéria são febre moderada e vômito. Em alguns casos, há diarreia com sangue nas fezes.

Em 2009 -- o último ano de que há dados --, o Instituto de Saúde Carlos 3º, em Madri, registrou 16 casos, dos quais 14 eram do tipo de bactéria O157:H7, que parece ser a causa do surto na Alemanha, segundo informações do jornal "El País".

Na maioria dos casos, os afetados se recuperam depois de algum tempo, em média de uma semana a dez dias, somente recebendo hidratação. Mas as bactérias como a O157:H7, podem evoluir para uma situação muito pior. Podem atacar os rins e, se a insuficiência for grave, levar à morte.

O Centro de Controle de Doenças dos EUA calcula que essas complicações aparecem entre 5% e 10% dos casos. Deles, cerca de 4% são fatais.

*Com informações da Reuters, BBC e El País

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