Surto de infecção causado por pepino provoca a 16ª morte na Europa

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Mais uma morte vinculada à bactéria potencialmente letal Eceh foi anunciada nesta terça-feira (31) na Alemanha, elevando a 16 o balanço de vítimas fatais na Europa.

Uma mulher de 87 anos, contaminada pela bactéria E.coli entero-hemorrágica (Eceh), morreu nesta terça-feira em Paderborn (noroeste da Alemanha), segundo as autoridades de saúde locais.

Um hospital sueco anunciou hoje que mulher de 50 anos morreu após uma viagem à Alemanha. Este foi o primeiro óbito registrado fora do território alemão.

Mais de mil pessoas na Alemanha e na Europa foram contaminadas, segundo o instituto de vigilância sanitária Robert Koch.

A suspeita é de que pepinos contaminados procedentes da Espanha poderiam estar na origem da contaminação.

"Crise do pepino" entre Alemanha e Espanha

A onda de contaminação é a pior já registrada na Alemanha e uma das mais graves em todo o mundo, e causou o estremecimento das relações entre a Alemanha e a Espanha, que se considera injustamente atacada. Isto porque as suspeitas de contaminação da Eceh recaem sobre os pepinos procedentes de cultivos em estufas na região da Andaluzia.

A ministra espanhola da Agricultura, Rosa Aguilar, negou nesta terça-feira que as bactérias sejam provenientes da Espanha e afirmou que pedirá uma compensação da União Europeia (UE) e da Alemanha "pelos danos e prejuízos causados", que para ela são "irreversíveis".

De acordo com Aguilar, a situação é "extremamente grave", causando perdas para o setor de 200 milhões de euros em apenas uma semana.

"Para um problema europeu, precisamos de uma solução europeia", disse a ministra durante uma reunião com autoridades do setor realizada em Debrecen, na Hungria.

"Vamos apresentar o problema e pedir uma compensação não só para os produtores espanhóis, mas também para todos os afetados por esta situação", acrescentou.

Quase toda a Europa deixou de comprar verduras espanholas, em consequência das suspeitas sobre os pepinos procedentes do país, informou a Federação Espanhola de Produtores-Exportadores de verduras e frutas (Fepex).

Ao ser questionado sobre os países que deixaram de comprar os produtos espanhóis, o presidente da Fepex, Jorge Brotons, respondeu: "Praticamente toda a Europa. Há um efeito dominó em todas as verduras e frutas".

As autoridades do continente expressaram preocupação com a propagação da bactéria, que causa fortes hemorragias no sistema digestivo.

A Rússia anunciou na segunda-feira a suspensão das importações das verduras alemãs e espanholas, assim como a Bélgica. A Áustria retirou de venda os pepinos espanhóis.

Por outro lado, a Holanda disse que pedirá ajuda financeira à UE para seus agricultores, que registraram queda nas exportações para a Alemanha.

Já foram confirmados casos de contaminação e suspeitos na Suécia, Dinamarca, Reino Unido, Holanda, França, Suíça e Áustria. Todas as vítimas teriam visitado a Alemanha nos últimos dias.

Novos casos

As autoridades alemãs temem que o surto não tenha alcançado seu pico, devido à defasagem existente entre a incubação da bactéria e sua manifestação, que pode levar uma semana.

O instituto alemão Robert Koch, encarregado do controle sanitário no país, lamentou o surto e advertiu para "prováveis novos casos". "Conhecemos a bactéria Eceh há vários anos, mas jamais tínhamos visto propagação semelhante", afirmou o professor Jan Galle, diretor de um hospital na cidade de Ludenscheid, no oeste do país. "Em geral registramos cerca de mil casos por ano, mas agora temos 1,2 mil casos em 10 dias", disse.

De acordo com um último balanço divulgado na segunda-feira, 352 pacientes ainda internados apresentam transtornos renais graves, um mal conhecido como síndrome hemolítico-urêmica, uma doença fatal.

Os pacientes foram questionados quanto a seus hábitos alimentares e consumo de verduras antes de ficarem doentes. O objetivo é tentar descobrir a origem da contaminação.

A variante da Eceh que atinge a Alemanha é, de acordo com o professor Galle, de um tipo bastante virulento e resistente ao tratamento com diálise.

*Com as agências internacionais

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