WikiLeaks interrompe atividades por falta de dinheiro

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Entrevista com Assange

Há um superpoder que quer nos destruir. Estamos em um momento em que um movimento jovem e novo está florescendo por todo o mundo na internet. A juventude apática da internet está se tornando politizada, eles estão começando a sentir sua impotência e a ficar incomodados com isso, querendo mudar

Julian Assange

A organização WikiLeaks, que publicou milhares de documentos comprometedores de governos do mundo todo, anunciou nesta segunda-feira (24) que deixará de funcionar por falta de financiamento.

O anúncio foi feito pelo fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em entrevista coletiva em Londres. Assange está retido no Reino Unido, aguardando a conclusão de um julgamento de extradição para a Suécia, onde é acusado de supostos abusos sexuais.

O WikiLeaks destacou que suspende a divulgação de documentos secretos oficiais devido ao "bloqueio arbitrário e ilegal" feito por empresas americanas, como Bank of America, Visa, MasterCard, PayPal e Western Union, que dificultaram o acesso a fontes de financiamento.

Segundo o site, o bloqueio destruiu 95% de sua receita e custou milhões de euros pela perda de doações durante um período de 11 meses. Agora, o site se concentrará em arrecadar fundos

"Nossos poucos recursos devem se concentrar agora na luta contra o bloqueio bancário ilegal", afirmou Assange.

"Se não enfrentarmos este ataque financeiro, então haverá um precedente perigoso, opressivo e não democrático, com consequências que vão além do WikiLeaks e seu trabalho", acrescentou.

O fundador do site também advertiu que outras organizações que denunciam as atividades de grupos poderosos podem correr o mesmo risco que o WikiLeaks.

Assange pede ajuda
para salvar WikiLeaks

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, divulgou hoje (24.out.2011) campanha de arrecadação de fundos para manter seu projeto ativo. As arrecadações do site caíram, segundo comunicado enviado à imprensa, 95% desde que Bank of America, VISA, MasterCard, PayPal e Western Union impuseram bloqueio às doações em dezembro de 2010.

Revelou segredos das principais potências do mundo

O WikiLeaks foi criado em 2006 com o objetivo de revelar ao grande público o conteúdo de documentos classificados como confidenciais. Pessoas que não eram identificadas enviavam documentos para o site. Após uma leitura e checagem dos dados, esses documentos eram disponibilizados para leitura.

A maior polêmica do WikiLeaks foi o vazamento de cerca de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais do Departamento de Estado dos Estados Unidos, revelando detalhes da política externa americana.

As informações foram entregues a cinco grandes veículos de imprensa do mundo, entre eles o americano "The New York Times", o francês "Le Monde", e o britânico "The Guardian". O conteúdo dos documentos diplomáticos secretos revelava uma visão pouco amistosa dos EUA com relação a alguns países e líderes mundiais.

Fundador do site é acusado de estupro

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, ganhou fama e problemas após a divulgação de milhares de documentos comprometedores de governos de todo o mundo em seu site.

Assange foi detido no fim do ano passado em Londres em virtude de uma ordem de captura europeia. Duas mulheres suecas o acusam de estupro. Depois de passar nove dias na prisão, responde em liberdade condicional e vive praticamente o tempo todo na mansão de um amigo a 200 km da capital inglesa.

A detenção aconteceu após o início da divulgação, em 2010, de milhares de telegramas diplomáticos confidenciais americanos pelo WikiLeaks, assim como de documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão.

Os partidários de Assange denunciam que o caso tem motivações políticas e que a extradição para a Suécia seria apenas uma etapa antes do australiano ser entregue aos Estados Unidos, país que ainda estuda uma maneira de acusá-lo formalmente.

(Com infornações de agências internacionais)

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