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Países do Conselho do Golfo retiram seus embaixadores da Síria

Do UOL, em São Paulo

07/02/2012 13h56

Os países-membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) decidiram nesta terça-feira retirar seus embaixadores da Síria devido ao aumento da violência no país e à rejeição de Damasco à iniciativa árabe para buscar uma solução para a crise.

O CCG, composto pela Arábia Saudita, Catar, Omã, Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, também exigiu que embaixadores sírios nestas localidades abandonem imediatamente estes países, segundo comunicado do organismo.

Os países do conselho seguem os passos dos Estados Unidos, que na segunda-feira anunciou o fechamento ed sua embaixada em Damasco e retirou todos os seus funcionários da Síria, segundo anunciou o Departamento de Estado.

"Como representante do presidente (Barack Obama), o embaixador continuará seu trabalho e seu contato com o povo sírio como chefe de nossa equipe para a Síria em Washington", acrescentou a porta-voz do departamento, Victoria Nuland.

O aumento da violência fez com que alguns países europeus também cogitassem a retirada de seus embaixadores e cidadãos do país, como foi o caso de Itália, França e Espanha nesta terça-feira.

Após a consulta aos embaixadores, ficou decidido que as embaixadas ficarão abertas para auxiliar os cidadãos e acompanhar a situação de perto.

Assad recebe chanceler russo

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que o presidente Síria, Bashar al Assad, convocará "em breve" um referendo para uma nova Constituição, e deve comunicar ainda a abertura para o diálogo com outros grupos políticos e a ampliação da missão da Liga Árabe no país. O chanceler esteve em Damasco nesta terça-feira.

Segundo o ministro, no documento, o governo afirma, entre outros, que permitirá o pluripartidarismo, ou seja, o diálogo entre diferentes forças políticas, e a permanência da missão da Liga Árabe no país. "A Síria informa à Liga Árabe que tem interesse que a missão da Liga continue seu trabalho e seja ampliada", declarou Lavrov, de acordo com as agências russas.

Ainda de acordo com Lavrov, Assad "garantiu que está completamente comprometido na tarefa de parar a violência, independente do lado que venha".

Lavror também defendeu que a situação na Síria seja resolvida sem a intervenção estrangeira. "A Síria precisa de paz, e esse acordo deveria ser alcançado fora de qualquer intervenção estrangeira", destacou Lavrov após a reunião, em declarações divulgadas pela agência oficial "Sana".

O chanceler russo garantiu que Moscou "pretende continuar seu trabalho com as autoridades sírias" com o objetivo de encontrar uma solução negociada.

Da mesma forma, Lavrov lembrou que seu país está pronto para cooperar para uma saída do conflito "como foi mencionado na iniciativa da Liga Árabe em 2 de novembro".

O chanceler russo, que viajou ao país árabe acompanhado pelo chefe do serviço de espionagem exterior, Mikhail Fradkov, se reuniu nesta terça-feira em Damasco com Assad para analisar a situação na Síria e entregar a ele uma carta do chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.

A visita motivou uma onda de protestos na capital síria já que a Rússia é o principal país aliado do regime de Assad, e vetou as sanções impostas pela ONU ao país, ao lado da China. Mas também houve manifestações de apoio ao chanceler, no bairro de Mezze, num ato organizado pelo governo, segundo a agência Efe.

Ainda segundo a agência oficial "Sana", milhares de pessoas saíram também a uma Praça em Aleppo, segunda cidade do país e ainda fiel ao regime, para agradecer à China e Rússia pelo veto e para rejeitar "as ingerências estrangeiras". (Com agências internacionais)