Crise no mundo árabe

Feridos ainda continuam na Síria; para ministro sírio, conferência na Tunísia foi ato de apoio a terroristas

Ainda não houve acordo para a retirada de mais feridos da cidade de Homs, no Centro da Síria. Na sexta-feira (24), durante uma trégua dos bombardeios ao bairro rebelde de Baba Amr, a Cruz Vermelha Internacional e o Crescente Vermelho Árabe conseguiram transportar 27 feridos e doentes para um hospital. Dois jornalistas estrangeiros feridos na quarta-feira (22) ainda não conseguiram sair do país.

Os bombardeios de sexta-feira e sábado (25) mataram mais de 100 pessoas em Homs (52 pessoas na sexta-feira e outras 57 neste sábado, sendo 41 civis e 16 soldados ), segundo ativistas e o grupo opositor. 

A situação no bairro rebelde de Baba Amr segue dramática. Falta comida, água, eletricidade e atendimento médico aos moradores bloqueados há 21 dias, desde que o regime lançou uma ofensiva destinada a massacrar a rebelião e membros do Exército Sírio Livre baseados no bairro.

A Cruz Vermelha Internacional e o Crescente Vermelho Árabe têm tentado negociar um cessar-fogo de duas horas por dia para retirar os feridos, mas as autoridades sírias rejeitam a trégua.

Os dois jornalistas estrangeiros, um britânico e uma francesa, atingidos na quarta-feira no bombardeio que matou a jornalista americana Marie Colvin, 55, e o fotojornalista francês Rémi Ochlik, 28, ainda não puderam ser evacuados.

O Irã, principal aliado regional de Damasco, reafirmou hoje (25) sua oposição a uma intervenção militar na Síria. Teerã também negou estar enviando armas ao país vizinho.

O chanceler francês, Alain Juppé, propõe a criação de corredores humanitários. A comunidade internacional também não descarta a criação de zonas de segurança nas fronteiras do país. O porta-voz do Conselho Nacional Sírio, Basma Kodmani, sugeriu a abertura de passagens no Líbano, na Jordânia e Turquia

Síria diz que conferência na Tunísia foi ato de apoio a terroristas

O ministro da Informação sírio, Mahmoud Adnan, disse neste sábado que a conferência "Amigos da Síria" realizada na sexta -feira na Tunísia foi organizada para apoiar os "terroristas" em sua tentativa de "golpear a estabilidade e segurança" do país.

Num encontro em Damasco com jornalistas indianos, Adnan classificou a reunião como conferência de amigos de Washington e inimigos do povo sírio, segundo declarações recolhidas pela agência oficial de notícias "Sana".

"A reunião terminou com uma única verdade, que é a continuação do respaldo aos terroristas", atacou o ministro.

Adnan acusou o Ocidente de ter um plano contra a síria e especialmente os Estados Unidos e seus "satélites na região, principalmente Arábia Saudita, Catar e Turquia".

Estes países vivem, segundo sua opinião, "num estado de desequilíbrio, já que vão de conferência em conferência numa tentativa de superar o fracasso que tiveram no Conselho de Segurança da ONU", afirmou o ministro em referência ao veto da Rússia e da China a uma resolução de condenação ao regime de Bashar al Assad.

Adnan usou como exemplo as declarações do ministro saudita das Relações Exteriores, o príncipe Saud al-Faisal, que disse que era uma boa ideia armar o Exército Livre Sírio (ELS), grupo que reúne soldados desertores.

Os mais de 60 países participantes da reunião "Amigos da Síria" coincidiram numa "forte condenação" do regime sírio, embora não chegaram a um acordo sobre nenhuma medida concreta para deter a violência no país. 

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