Iraquiano condenado pelo regime de Saddam Hussein viveu 22 anos escondido em buraco

Do UOL, em São Paulo

Por 22 anos, todos os bens de Jawad al-Shammari se resumiam a um tapete, um rádio, um cópia do Alcorão e pratos. Era com isso que o iraquiano sobrevivia dentro de um buraco de meio metro de largura por dois metros de comprimento.

Condenado pelo regime de Saddam Hussein, em 1979, por pertencer a um partido islâmico de oposição, al-Shammari passou um ano fugindo, antes de se esconder no buraco que ele mesmo cavou, ao lado da casa da família.

Foi do buraco, escutando a BBC, que o iraquiano ficou sabendo da guerra com o Irã, do massacre dos curdos e da invasão ao Kuwait.

Mesmo quando seu irmão foi condenado à morte e executado, al-Shammari não saiu de seu esconderijo para participar dos funerais, pois tinha medo de ser preso.

Para comer, o iraquiano contava com a ajuda da mãe, que levava comida e água.

Por causa das péssimas condições de seu esconderijo, al-Shammari ficou muito doente e perdeu todos os dentes.

O iraquiano só saiu do buraco em 2003, após a invasão americana que levou à queda do regime de Saddam Hussein.

"Nunca imaginei que fosse sair daquele lugar para ter uma vida normal. Às vezes, me sentia como um morto. Tudo era negro", contou. "A única coisa que me deixava feliz era rezar, ler o Alcorão e escutar notícias no rádio", completou.

Agora, livre, al-Shammari tem outra dificuldade. Ele não consegue arranjar emprego e não tem direito ao benefício do governo aos prisioneiros políticos. "Para receber ajuda preciso provar que fui preso. Mas somente minha mãe conhece minha história e minha prisão doméstica", explicou. (Com AFP)

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