Austrália expulsa diplomatas sírios após massacre de Houla

Do UOL, em São Paulo

  • Rede de Notícias Shaam/Reuters

    Sírios participam de enterro em massa de vítimas de massacre em Houla, no qual morreram 108 pessoas

    Sírios participam de enterro em massa de vítimas de massacre em Houla, no qual morreram 108 pessoas

O ministro de Relações Exteriores da Austrália, Bob Carr, informou nesta terça-feira que o governo do país decidiu expulsar dois diplomatas sírios devido ao massacre na cidade de Houla, onde morreram mais de 100 pessoas na semana passada.

O encarregado de negócios da embaixada síria, Jawdat Ali, já foi informado da decisão. Ele e o outro diplomata terão que deixar o país em até 72 horas.

Testemunhas dizem que o ataque foi perpetrado pelo Exército sírio e pela "Shabiha", uma milícia civil sectária que apoia o regime do presidente Bashar al-Assad. O governo nega as acusações diz que os ataques foram obra de "terroristas armados".

Ontem (28), o embaixador sírio em Londres foi convocado ao ministério britânico de Relações Exteriores, que condenou o "repulsivo e diabólico" massacre.

O diretor político do Ministério das Relações Exteriores, Geoffrey Adams, também ameaçou, durante a reunião, o diplomata sírio com "mais ações rápidas e fortes" se o regime de Bashar al-Assad não implantar o plano de paz do emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan.

Adams afirmou ainda que a chacina deveria ser alvo de uma investigação internacional para que os responsáveis sejam identificados e possam prestar contas à justiça.

"A menos que o regime sírio suspenda todas as operações militares imediatamente e implemente os seis pontos do plano de Kofi Annan, a comunidade internacional adotará mais ações rápidas e fortes em resposta", declarou.

Massacre em Houla

  • Arte/UOL

O papa Bento 16 disse estar "afligido e profundamente preocupado" com o massacre, afirmou na segunda-feira o porta-voz vaticano, Federico Lombardi.

Ontem, ao chegar à Síria, Annan pediu que o país “adote passos efetivos para demonstrar sua seriedade em resolver a crise pacificamente”, para acabar com a violência.

Annan pede "passos efetivos"

Annan chegou nesta segunda-feira a Damasco na tentativa de renegociar o plano de paz proposto em abril.

Em declarações a jornalistas, Annan se disse “impactado e horrorizado” pelo massacre, e pediu que todos os envolvidos no conflito “ajudem a criar um contexto correto para um processo político com credibilidade”. “Essa mensagem não é apenas para o governo, mas para qualquer um que tenha uma arma”, completou.

O plano de paz exige de todas as partes o imediato fim da violência e das violações dos direitos humanos, assim como a garantia do acesso de pessoal humanitário ao país, a facilitação da transição política síria rumo à democracia, o início do diálogo político e a permissão do acesso da imprensa, entre outros.

Ao comentar o massacre, Annan disse que vai pedir uma investigação para apurar os responsáveis pelas mortes. “Foi um crime espantoso e o Conselho de Segurança já o condenou com toda a razão”, disse Annan sobre o massacre. “Espero ter uma conversa sincera e franca com o presidente Assad”, completou. Esta é a segunda visita de Annan à Síria desde que foi nomeado mediador, há três meses.

 

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