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União da Venezuela é desafio para Maduro, dizem congressistas brasileiros

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

15/04/2013 13h40

O principal desafio para o candidato chavista Nicolás Maduro, do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), recém-eleito presidente da Venezuela, será o de unir o país vizinho em torno de um projeto nacional, disseram congressistas ouvidos pelo UOL.

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Com 50,66% de votos, segundo o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), Maduro venceu as eleições deste domingo (14) por uma diferença de menos de 2% dos votos de seu concorrente, Henrique Capriles, do MUD (Mesa de Unidade Democrática), algo em torno de 230.000 votos num conjunto de cerca de 19 milhões de eleitores. Capriles obteve 49,07% da preferência do eleitorado.

“Essa divisão do país nos votos impõe ao presidente Maduro uma enorme capacidade e habilidade para unir o país em torno de um projeto nacional. Esse é o grande desafio do presidente do presidente Maduro”, resumiu o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

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Em pronunciamento na madrugada desta segunda-feira (15), Capriles disse que não reconhece a vitória de Maduro e que pedirá uma recontagem de votos. Maduro aceitou a recontagem e solicitou oficialmente ao CNE que realize uma auditoria no país para não restar dúvidas do resultado do pleito deste domingo (14).

“Das informações que eu tenho, tudo aconteceu dentro da normalidade democrática e o leitor foi soberano. É importante que a democracia avance na Venezuela. Há uma expectativa que ele [Maduro] dê prosseguimento com as boas relações com o Brasil”, afirmou o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Questionados sobre a possibilidade de fraude, os parlamentares consultados pelo UOL defenderam a autonomia e a soberania da Venezuela em seu processo eleitoral.  

“Chegou a ser feito um requerimento [na Comissão de Relações Exteriores do Senado] pedindo para que uma comissão de observadores fosse à Venezuela acompanhar o processo eleitoral, mas acabou sendo retirado de pauta, nem foi votado. Nós respeitamos a autonomia e a soberania deles no processo eleitoral”, exemplificou o vice-líder do PSDB no Senado, o senador Alvaro Dias (PR), que é integrante da Comissão de Relações Exteriores da Casa Legislativa.

Com relação às relações comerciais com o Brasil, o senador Ricardo Ferraço destacou que, pelo fato de Maduro ser sucessor de Hugo Chávez, não há expectativa de que haja mudanças nas transações bilaterais e nem na posição do país vizinho no Mercosul (Mercado Comum do Sul).

Atualmente, o Brasil é o terceiro maior principal parceiro comercial da Venezuela, atrás dos Estados Unidos e da China.

Para o senador Alvaro Dias, o resultado apertado nas urnas da Venezuela mostrou a insatisfação de metade dos venezuelanos com o chavismo e que “Maduro deverá ser presidente de um mandato”-- diferentemente do que ocorreu com seu antecessor, que ficou 14 anos no poder. 

“O país tem um potencial extraordinário em função da produção de petróleo e é extremamente pobre, com uma administração populista e autoritária. Esse governo vai manter essas práticas e vai continuar ouvindo o passarinho do [Hugo] Chávez. É uma liderança que não tem a força e a energia de Hugo Chávez e será suscetível aos ataques da oposição”, avaliou o congressista tucano. Dias refere-se à declaração de Maduro de que Chávez apareceu em forma de "passarinho" e o abençoou para conseguir a vitória nas urnas.

Escolhido por Chávez em 8 de dezembro, Maduro ficou encarregado do governo venezuelano desde a morte do líder, em 5 de março depois de mais de 20 meses de luta contra o câncer.